terça-feira, 21 de agosto de 2012

A justiça tarda mas vem



Depois de tanto golpe, de tanto esquema, de tanta palhaçada, finalmente o Destino foi justo comigo.
O João ficou de me ajudar a fazer a mudança da casa com as carrinhas enormes da empresa da família dele cá de Portugal. Falou com o pai e o irmão e disseram-lhe que estava tudo ok. Chegou o dia e não haviam carrinhas, a empresa foi vendida o mês passado. Olha que fofos! Foi só ouvirem falar na Raven que toca a mentir para ver se a lixam! Sorte a minha e azia a deles que o João se chateou, foi mais um abre olhos e arranjou outra carrinha através de um amigo. Maldade não vai longe não, minha gente…
Isto tudo no dia 1.
Dia 2: Raven e João vão fofinhos, depois de uma noite excelente num hotel, tomar café logo de manhã. Assim que entramos, damos de cara com a mãe e irmã do João. Raven, feita estúpida, lembra-se de dizer bom dia. O que recebe em troca? Olhares fuzilantes e silencio. Afastei-me. Mais tarde, o João vai a casa e a santa da mãezinha dele segue-o logo, fazendo a seguinte conversa demente: “Filho, viste o que a Raven fez? Nem nos falou!”.
Claro… deve achar que o filho é surdo… fazer uma conversa de merda e mentirosa quando o filho estava presente? É mesmo suicídio…
Estes dois episódios e mais umas boquinhas parvas e o João ameaçou sair de casa e só vir a Portugal ver-me. E como prova de que falava a sério, nestes 10 dias, fez 3 refeições com eles.
Diz-se por aí que a minha sogrinha só chora e a minha cunhada anda passada. É lixado, não é? Temos peninha…
Estratégia das bichas maléficas: foram falar com o João, admitir que foram cabras comigo, que querem pedir-me desculpas e que desejam que tudo volte a ficar bem.
Claro… eu vou mesmo adorar ir jantar lá a casa, voltar a ouvir gente mal educada em silencio, recear que me ponham antrax na comida e sorrir falsamente como se não houvesse amanhã. Tão fofas que são as santas!
E burras! Acham mesmo que acredito que admitiram a culpa e que entenderam as vacas que são? É tudo estratégia para nos atirar areia para os olhos e ver se o João se reaproxima delas.
Pois minhas queridas, aguentem-se! Os meus pais ensinaram-me que cada um se deita na cama que faz. São adultas, arquem com as consequências. Ninguém vos obrigou a serem vaquinhas, pois não?
Mas sabe tão bem ver-vos a engolir o orgulho, receber uma sms matutina da minha cunhada a dizer “Bom dia. Como estás? Beijinho” e ver um convite de amizade da sogra no Facebook. Ai agora querem conversa e amizade? É tarde.
No que depender de mim o João é órfão, estamos felizes e quem perdeu foram vocês. Não tenho interesse nem vou permitir que cheguem a mim para me pedir falsas desculpas.
Morram de raiva acumulada nas artérias!

domingo, 19 de agosto de 2012

Quase a terminar…




Terça-feira volto à minha faceta de noiva da Guerra do Ultramar.
Isto de ter quem se ama apenas 10 dias a cada 3 meses tem muito que se lhe diga.
Dói. Dói muito.


Conversas #22#

Ela: Ai tu falas a toda a gente! Pretos, rastafáris, gente suja…
Eu: E? Deveria trata-los mal? Não entendo onde quer chegar.
Ela: Ai faz-me confusão, por exemplo, teres pretos na família. Isso nem é gente, são bichos! Todos mortos é que era bom!
 
 
Ps: Preciso mudar urgentemente de emprego. Diz-se por aí que a estupidez crónica se pega.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Directo para o céu


É o 3º dia do João em Portugal e a família dele já começou com as baixarias e falta de carácter.
Vamos mas é para Albufeira amanhã e voltamos sexta-feira.
O céu é qualquer sitio bem longe de gente louca e eu preciso ser tratada como um anjo, porque paciência de Santa já eu tenho!

90% já está


E conseguimos!
Num fim-de-semana fizemos a mudança quase toda. Móveis e conteúdo já lá estão a habitar o novo lar. Faltam pequenos detalhes como pendurar quadros e candeeiros.
Gosto da casa. Acho que tem uma energia mais leve. Só falta conseguirmos pagá-la.

Já tinha saudades…



…da intimidade.
A química que se gera no amor, o toque, os corpos colados, a respiração, o sabor da pele, do sexo.
A nudez. Dois corpos lado a lado na cama. Um puxa, o outro geme, um ri, o outro morde, um faz cócegas, o outro oferece porrada em tom de gozo.
Haverá algo melhor que a sintonia do amor e do sexo?

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pequenas grandes coisas


Já vivi a experiencia de viver dependente de um homem.
O facto de ter um irmão deficiente fez com que a minha mãe se dedica-se exclusivamente ao filho, nunca podendo trabalhar.
Resultado: o meu pai fazia o que queria, maltratava, porque podia e mandava. Era ele quem pagava, quem dava a sua esmola.
Jurei que nunca me colocaria numa situação igual à da minha mãe.
Actualmente, encontro-me numa situação em que recebo 250€ de ordenado, a Mammy recebe 81€ de rendimento e a renda da nossa futura casa são 300€. Façam as contas.
Claro que temos poupanças que nos ajudarão por um tempo mas e depois?
O namorado ofereceu-se para me pagar a renda. Ele ganha em 2 meses o que eu pago em renda por ano.
Não pretendo aceitar e tenho a esperança de conseguir um emprego melhor até as nossas economias terminarem.
Mas independentemente disso, o que conta é o gesto. Ninguém da minha família se chegou à frente. Apenas ele, que não me é nada, não tem o meu sangue, não tem obrigação, deu esse passo. E significou tanto! Estou a vê-lo com outros olhos. Poucos fariam isto.
Ele esteve 3 meses a trabalhar arduamente em França, vai chegar exausto, não me vê nem à família há tanto tempo e vai chegar directamente para me fazer a mudança, abrindo mão das férias anteriormente programadas no Algarve.
Acho que afinal tenho um óptimo namorado!

Nova etapa

Passar de um T3 para um T2 não é fácil.
Há mobília a mais, entre outras coisas.
O quarto do meu irmão vai deixar de existir, facto que está a ser muito doloroso para a Mammy. Mas tem mesmo de ser…
A roupa do meu irmão será dada a uma senhora que manda de 2 em 2 meses, um contentor com bens para a Guiné. Seguramente, lá será bem aproveitada.
Tentaremos vender o computador dele, de ecrã táctil.
Só podemos levar 2 dos nossos 3 sofás.
Vamos viver para um 5º andar e os móveis não cabem no elevador.
O João vem sábado e vai ter de me fazer a mudança. Não teremos tempo para namorar nem para ele descansar.
Espero conseguir levar os móveis todos em apenas 2 dias.
Não sei como iremos pagar a renda.
O João ofereceu-se para me pagar a renda. Não quero aceitar, acho de pouco carácter viver às custas de um homem.
Passei os últimos 3 dias a encaixotar de dia e a levar as caixas para a casa nova à noite.
Sinto-me exausta.
Preciso de paz.

Diário de bordo

Olá, gente!
Sei que ando desaparecida mas enfim… quando se atrai tudo o que é peripécia e se tem um filme no lugar da vida, as coisas podem complicar-se um pouco…
Estão preparados? Sentados? Com pipocas?
Então foi assim, eis que surgiu um conhecido da família, com fama de rico, que teve uma paixoneta pela mammy, a dizer que nos emprestava 70€mil para pagarmos a hipoteca ao banco, a parte do meu pai e ficarmos com a nossa casinha linda.
Ficamos estarrecidas, perplexas mas… aceitamos, lógico!
Fomos à advogada, o senhor deu a cara, mandou preparar a papelada, entregou fotocópias dos seus cartões de identificação, estava tudo certo.
Chegou o momento de fazer a transferência e… o dinheiro não aparecia!
Eis que o senhor foi ao banco (diz ele) e parece que se enganaram em 2 números do NIB da mammy. Ora vamos lá a ver… se nos enganamos num número que seja, já não aparece o nome do dono da conta… é fácil! Não tem erro! Como podem funcionários bancários cometer uma burrice e irresponsabilidade destas?!?
Fiquei desconfiada mas pronto. Não tinha outra solução senão aguardar.
Nisto, o tipo que tem dupla nacionalidade, já dizia que não tinha uma papelada qualquer importante em dia e que não liberavam o dinheiro de Espanha para cá (primeiro, tinha-o mas foi parar a outra conta, agora já não o liberavam… faz-vos sentido?). Desapareceu durante 2 dias e lá disse que tinha ido a Espanha resolver a sua situação para que nos pudesse emprestar o dinheiro.
Tudo certo.
O problema foi quando eu, desconfiada, lhe pedi para ver a conta bancária dele, para confirmar a transferência. O tipo tinha, exactamente, 0.00€ na conta!
Entrei em pânico!
O tipo lá justificou que deveria ser algum atraso, já que a transferência vinha de um banco estrangeiro.
Mas 0.00€?!? Vive do quê?!?
Contei até 100 e respirei muitas vezes…
Há 3 fins-de-semana atrás, diz o tipo que uns cunhados espanhóis vêm cá à terriola e lhe vão trazer um cheque, porque assim acabam-se os atrasos do banco e bla bla bla.
Sabem o que aconteceu??? [segundo ele]
Os cunhados foram a Fátima e levaram os cheques… (devem ter ido para ser benzidos).
Depois (cereja no topo do bolo), desapareceram! Não atendiam o telemóvel e coisa e tal.
Passou-se o fim-de-semana.
Na segunda-feira pedi ao tipo que fosse ter comigo. Já tinha o esquema armado: ia telefonar ao sobrinho espanhol dele (se é que existe) e perguntar se os pais estavam em Portugal e desaparecidos. Mas o gajo ligou-me a dizer que os cunhados tinham aparecido e que à noite já nos dava o cheque.
21h.
22h.
23h.
00h.
Nada… Não atendia o telemóvel…
Algumas pessoas começaram a sugerir se o homem não estaria combinado com o meu pai para nos fazer perder tempo e dinheiro… Fez sentido na minha cabeça…
Fiz-lhe uma espera à saída do trabalho, atirei-lhe essa suposição à cara e o tipo reagiu indignadíssimo, a gritar que não é comparável com o meu pai nem ninguém, fez um escândalo muito orgulhoso e rematou dizendo “agora já não vos empresto o dinheiro! Não quero saber!”.
E assim terminou tudo…
O que se passou não sabemos… se foi armação ou se foi uma tentativa de engatar a minha mãe ostentando algo que se calhar nem tem, nunca saberemos.
O certo é que andamos 2 meses a ser empatadas, perdemos tempo e dinheiro, perdemos a casa igualmente e tivemos de alugar outra à pressa.
Assim surge mais um capítulo estranho da minha vida para o qual nunca terei resposta.
Cada vez compreendo menos as pessoas.

E fez um ano no dia 16 de Julho…


…que fui para Madrid ser empregada doméstica de uma princesa, prima em 1º grau do Rei de Espanha.
Foi uma experiencia assim… foi uma experiencia, enfim!
E definitivamente, mantenho-me republicana (mas adoraria ter a vida daquela gente…).
Oh Deus, porque não me fizeste nascer com uma coroa?!?