João: Isto está a ficar
muito difícil…
Eu: O quê?
João: Dizer-te que não.
Eu: E porque resistes?
João: Porque
conheço-me, perdi a fé, sei que isto não dá! Não te posso pedir para seres quem
não és, eu preciso de casamento, filhos… essas coisas que tu não queres!
Eu: Filhos… isso é algo
que não te posso garantir. Talvez um dia desperte o meu relógio biológico,
talvez não. Agora casamento, porque não? Cederia por amor. Se for muito importante
para ti, enfio-me dentro de um monte de folhos e assino o papel e engulo o champanhe.
Juro que faço isso por amor. Mas ainda não, já não. Tenho 23 anos. Isso sim
seria anular-me. Mas desliga o cérebro um pouco! Não acredito que não sintas a
minha falta!
João: Todos os dias.
Eu: Pára de resistir!
Vem lutar, ser feliz. Amo-te.
João: Neste momento não
consigo.
Nota: Um “neste momento”
é esperançoso, certo? Hoje passamos o dia juntos, ele quer comprar um carro e
levou-me para opinar. Depois fomos caminhar juntos e lanchamos. Foi estranho.
Parecia que ele tinha medo de me tocar. Doeu estar ali como “amiga” mas esta
conversa final limpou-me as lágrimas e deu-me um sorriso.