Não sou católica nem
cristã e pouco me importa se Deus existe, se Cristo ressuscitou ou se a
Mariazinha era mesmo virgem. O que sei é que se o tipo existir, preferirá
certamente que ajudemos o próximo ao invés de acendermos velinhas e comermos
borrego.
Esta manhã, mesmo ao
lado do meu trabalho, caiu uma senhora com cerca de 90 anos. Ia às compras, cambaleante,
de muleta e o carrinho das compras atrás. Tropeçou e abriu o queixo, cortou o
lábio e partiu uns dentes. Era sangue por todo o lado. Eu e outro rapaz corremos
para a socorrer. Nem uma queixa se ouviu da boca daquela senhora. Apenas estava
preocupada com o meu vestido, não me queria sujar de sangue. Vejam bem a
doçura!
O certo é que as poucas
alminhas que se aproximaram, ao ver o sangue a jorrar em boa quantidade,
foram-se embora para não mancharem a indumentária.
Isto cabe na cabeça de
alguém?!? A Páscoa para aqui, a Páscoa para acolá e na hora de estender a mão a
alguém ferido, está quieto! Juro que senti nojo desta falsidade religiosa. Todos
com sacos de compras, borrego, a falar em reunião de família, ir à missa e depois
é assim.
A sorte no meio disto
tudo foi o rapaz pertencer ao INEM e ter acabado de sair do seu turno, tendo
consigo uma caixa de primeiros-socorros e um carro para levar a senhora ao
Hospital, que apenas dizia que queria ir para casa, de queixo aberto e tudo.
Ele lá me orientou e eu
ajudei como podia a fazer um curativo básico para o caminho até ao Hospital.
Espero que a querida
senhora esteja bem.
PS: o rapaz era de um
carinho e paciência encantadores. Se todos os profissionais de saúde fossem
assim…