Um amigo meu vive numa
quinta composta por vários T0.
Na semana passada,
surgiu por lá um cachorro pastor alemão, muito dócil, magrinho, com as costelas
a transparecerem e de olhar triste. Escondeu-se por ali, debaixo de um carro e deixou-se
ficar. Alguns vizinhos com pena iam-lhe dando água e alguns restos alimentares.
Eu passava horas a
brincar com ele, a mima-lo. Mas comecei a notar que o cãozinho fugia em pânico sempre
que ouvia a voz do senhorio, dono de toda a quinta. Estranhei mas lá continuei
a mima-lo. Até que na segunda-feira o anormal do homem vem até mim e profere a
seguinte pérola: “Está proibida de lhe dar comida! Já retirei dali o prato com
água. Se quer tanto dar-lhe atenção, ponha-lhe uma corrente ao pescoço e leve-o
para sua casa, aqui é que não fica. Ele já está habituado a levar porrada, mas
não tenho problemas nenhuns em dar-lhe uma sova a sério, daquelas que farão com
ele nunca mais caminhe até aqui”.
Fiquei tão indignada e
chocada com as palavras desta besta, que nem dormi nessa noite. Entendi o quão
urgente era salvar este pobre cachorro. Corri mundos e fundos, procurei todos
os meus contactos. Queria evitar o canil porque, como se sabe, com a actual
crise, passado um tempo a maioria dos canis opta por ir abatendo e gerando
espaço para mais. Andei, fui, corri, falei com tanta e tanta gente até que…
esbarro, por obra do Destino, com um rapaz que queria um pastor alemão
especificamente, por ser a sua raça preferida, para ficar de guarda num monte.
Combinei com ele uma hora, viu o lindão do pastor, adorou-o e neste momento ele
tem nome, comida, amor e muito espaço para correr.
Sinto que fiz a melhor
boa acção de toda a minha vida e só tenho pena de não ter um sitio espaçoso
para ser eu a ficar com ele. Apeguei-me tanto aquele focinho lindo.
Vou ter saudades tuas
mas sei que estás feliz. Boa sorte