segunda-feira, 4 de julho de 2016

Julho chegou de estalo!


Hoje retornei ao trabalho depois de 2 semanas de férias. E para meu espanto... não tinha trabalho!
Durante a minha ausencia, a minha secção fechou. Trabalho numa empresa que, estando geograficamente aqui em Lisboa, é internacional e trabalha com Espanha, França e Norte de África. Eu trabalhava directamente com Madrid, falando, escrevendo, lendo espanhol todo o dia, tendo o relogio em hora espanhola, numero de telefone espanhol, etc. Hoje fui informada ao chegar (sem qualquer aviso prévio ou noção de respeito) que passaria a desempenhar novas funções, as quais nem me entusiasmam. Mas pronto, vou manter a mente aberta. Terei agora uma formação de 2 semanas e depois logo se vê se me sinto à vontade. Não estou confiante mas rezo para que corra bem, preciso do emprego, o ambiente é optimo, sempre me facilitaram tudo para conciliar com as exigencias da faculdade / estágio e nesta nova função o ordenado aumenta (sendo que possivelmente o horario também muda e deixa de ser tão bom).
Vamos ver o que me espera...

Finalmente sairam hoje as notas todas. 1º ano de licenciatura feito!
Ainda que tenha tido uma nota ridicula na prática. Se soubesse... tinha ido a exame! Tive uma excelente nota no relatorio de estagio para depois, com percentagens e coisinhas como presenças (sim... sou baldas e raramente vou às aulas) e baixarem escandalosamente a nota. Que ódio! A nota mais baixa do ano é justamente a prática. Ridiculo!
Mas que se lixe... está feito o ano. No inicio queria apostar numa boa média mas sinceramente, de momento só quero é despachar isto e ir embora.

Esta semana também o senhorio decidiu tentar fazer de mim o "regresso ao amor no verão". Viu-me à espera do autocarro e teimou em oferecer-me boleia Foi preciso recusar umas 4x e ser arrogante para ele entender e sair furioso, com o carro a mil.
Depois atacou com umas sms, sendo a minha resposta "Bom dia. Informo que estás a enganar-te sucessivamente no envio de sms. Atenção que isto certamente não é para mim". E assim se destrona um playboy. Sossegou logo.
O peixe também telefonou. Não atendi. Mandou sms a dizer que gostaria de saber como estou e que sentia saudades. Respondi "estou viva, obrigada". Também não tentou mais a sua sorte.

E pronto... assim inicia hoje o meu verão. Com uma especie de "emprego novo" e com o ano lectivo concluido oficialmente.
Até setembro será assim.
Em setembro retomam as aulas e, segundo o meu chefe, talvez a minha secção volte, a qual, ainda que me paguem menos, eu prefiro.
Wish me luck!

sábado, 2 de julho de 2016

De Itália III

Dos bons exemplos de Roma (infelizmente, já me alertaram que no resto de Itália, sobretudo a sul, o exemplo é exactamente o oposto).
Adorei ver o carinho com que tratam os seus animais. E curiosamente todos de grande porte. Cá nunca se adoptam rafeiros alentejanos nem serras da estrela e é compreensivel. Poucos possuem casas grandes com quintais e espaços bons e, tendo em conta a nossa recente legislação e preços praticados pelos veterinarios, sabendo que cada tratamento / medicação é ao peso, ficamos desencorajados. Pois em Roma só vi cães que mais pareciam burros e sempre que parava para os admirar, os donos metiam conversa comigo gabando-se de há quantos anos os tinham e contando gracinhas que costumavam fazer, os olhos transbordando amor.
Conheci o Zulu. Um cão pequeno, parecido a uma raposa. A sua dona olhou-me com desconfiança e disse logo "Ele foi abandonado, adoptei-o numa associação já há 3 anos mas ele continua medroso. Não se relaciona com ninguém, nem a minha familia. Por isso escusa de tentar". Nisto, o pequeno Zulu veio, encostou-se a mim, eu baixei-me e ele olhou-me nos olhos, cabeça encostada no meu ombro e lambeu-me. Depois puxou-me a mão e deu-me a patinha.  A dona ficou incredula e só repetia, de mãos na cabeça "Ele está apaixonado!". Foi um momento giro.
Vi muitos animais dentro de lojas de roupa e várias campanhas de rua contra o abandono.
Conheci um senhor com uns 70 anos que passeava com o seu pastor belga de 12 anos e me contou que o tinha desde bebe.
Conheci a Estina, a gatinha preta de 12 anos que ia no metro em Nápoles com a sua dona. Ia ao veterinário. Ia sentada ao colo da dona, muito curiosa, linda pantera.
E vi também que em Roma se vendiam muitas coisas relacionadas com gatos: imans, marcadores de livros, quadros, calendários aos pontapés intitulados "gatos de Roma". Uma guia local explicou-me que existem inumeras colonias, todas sustentadas pela Câmara. Os gatos são vistos como seres vivos com direito a dignidade e inclusive consideram-se um atractivo turistico. Quando expliquei que em Portugal as colonias se exterminam ou são apedrejadas, os romanos olharam-me com horror, referenciando a legislação dura que têm para o efeito. Senti-me com muito orgulho deles. Como uma romana me disse "Não se matam animais!".

Gato de rua em Roma
 
 Cães a dormirem dentro das ruinas de Pompeia


Imans

Cartaz numa loja

"Não me abandones"

sexta-feira, 1 de julho de 2016

De Itália II

Bruscheta

 Lasagna e pasta

Focaccia

Risotto

Pizza

Tudo divinal e não muito caro. Há inúmeros menus turisticos e nos bairros residenciais encontram-se pratos a 7€.
Sendo que Nápoles é muito mais barato que Roma.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Regresso a Casa

Eu não viajava assim tanto tempo desde que o Eros tinha 6 meses. E por isso acho que ele não estava habituado a ficar sem mim tantos dias.
Quando cheguei, ao invés da tipica recepção com lambidelas e abraços, fui recebida com sons assustadores, gritos, rosnar e bufadelas agressivas. Vendo bem as coisas, nas vésperas da viagem levei-o ao veterinario, ele foi sedado, tiraram-lhe sangue, fizeram-lhe exames, ainda viemos de autocarro para Lisboa, aumentando o stress e depois eu fui embora com ele neste estado de caos. Suponho que ele estivesse bem chateado comigo.
Vá lá que hoje (cheguei ontem a noite) ele já está querido e perdoou-me.
Confesso que morri de saudades deles. A minha amiga já não me podia ouvir a falar deles, do quanto queria regressar e abraça-los. Ela acha estranho eu não gostar de crianças e ser do mais maternal que existe com os meus gatos. Ela acha até anti-natura. Que seja! Eu amo-os e morri de saudades. E hoje, após uma gigante limpeza na casa que tinha pelos acumulados de 10 dias, após os escovar e tratar da mudança de alimentação do Eros, só quero mesmo é jantar com eles e ver um filme a três no sofá.
Tenho aprendido ultimamente que eles são o meu equilibrio, a minha felicidade neste sitio menos bom. Posso estar numa cidade que não gosto, desmotivada e meio perdida mas eles estão sempre aqui. Pode parecer uma visão meio triste: a rapariga solitario e seus dois gatos. Mas neste momento em que nem eu me entendo, é bom tê-los a eles. Resta aceitar a vida como ela é e está e agradecer ao Universo por estes dois seres, por termos uma casa, um jantar e estarmos juntos.




Cada um de seu lado, debaixo dos braços
 
  
Jantar em preparação
 
 Como parece que o mais provavel é o Eros estar a ter alguma intolerancia alimentar à ração que lhes comecei a dar em Fevereiro, decidi não inventar mais e voltar à antiga que é, supostamente, de qualidade mais baixa que a actual. Mas não vou arriscar mais.

Decidi também investir na hidratação e patés dos bons. Para quem não conhece, apresento-vos a marca SCHESIR. Basicamente combina frango ou atum com fruta. Sim, leram bem... fruta para animais. Frango com maçã, atum com kiwi... e os meus gatos adoram! E vem tudo misturado numa especie de agua branca, cheira muito bem e é engraçado ver os cubinhos de fruta misturados. Para este verão, aconselho-vos mesmo esta marca. Também há para cão

Trouxe de Nápoles. A partir de hoje não aceito mais reclamações de visitas sobre o Eros ser filho do demónio

De Itália I

A foto clichet
 
Templo de Adriano em passeios noturnos


 Gelato italiani

 De gata para gata

Coliseu
 

Palatino
  

Piazza Venecia

Vaticano

Cheguei dia 21 e logo no 3º dia dei por mim no hotel metida na cama às 18h, cheia de dores nos pés, com bolhas, as pernas pesadissimas.
Dormi pouco e caminhei muito.
Cheguei a ir da estação de comboios ao Vaticano a pé. Mas eu gosto de viajar assim, perder-me nas ruas, nas gentes, nos cheiros, ver cada praça, cada beco, encontrar detalhes que de metro ou autocarro não seriam visiveis.
No 2º dia fui ao Vaticano (Museu, Praça de São Pedro, Basilica e Capela Sistina, catacumbas com todos os Papas enterrados). A Sistina desiludiu, tão pequena... nada imponente.
O Vaticano vale bem a pena pelos museus, são 8km de salas. Sim, leram bem... 8KM!!! Mas tem desde arte egipcia a romana, de tapeçarias a frescos, de escultura a arte contemporanea. Agora pareceu-me mal que na Basilica não me deixassem entrar se não me cubrisse. Como se fosse nua! Tinha o vestido da imagem, sem decote, até aos pés. Mas ao que parece mostrar os braços é inadequado... Juro que não entendo! Se fosse de minisaia compreendia. Agora os braços?!? E pronto, fui convidada a aceitar um pano ridiculo para me tapar e só assim prosseguir visita. Que retrogradas!


Vi o Coliseu também. O Palatino, enorme, cheio de tudo e mais alguma coisa e, confesso, fiquei até enjoada de ver tantas construções romanas imperiais.
O Circo Máximo, pequeno e pouco conservado.
Palacios em todas as partes, obeliscos e colunas.
Fui ao famoso Castelo Sant'Angelo.
Entrei num infindável número de igrejas. E fui até às Catacumbas de São Calixto, onde tive direito a um guia muito gentil, um seminarista angolano chamado Augusto, extremoso na sua fé e simpatia.
Já as pessoas... como eu amo pessoas!
Conheci um senhor da Sardenha que tem um lindo Pastor Belga de 12 anos e estão juntos desde que o cachorro era piccolo, piccolo!
Conheci um paquistanes que me ofereceu flores e encheu de beijos (uma cena estranha).
No metro um italiano nojento aproveitou o caos e apertões para literalmente esfregar o seu "material" contra o meu rabo. Saiu a correr mal ameacei chamar a policia (motivo pelo qual preferi também fazer Roma a pé). Na paragem de autocarros vi uma bixa louca que cantava e contorcia-se e agarrava-se ao poste onde estavam afixados os horarios, fazendo dele um varão. E roda, e pula, e pirueta... e eu ria e ria... Assim que chegou o bus entrei e ele veio atrás (de mim e da minha amiga que desta vez vim acompanhada e confesso que é estranho.. aos anos que só viajo sozinha) e sentou-se atrás de nós fazendo risinhos perturbadores e dizendo "I'm a great singer! The best of all! You are fat! The both of you! Fuck you!" e nisto levanta-se, olha-nos por cima do ombro, faz aquele sinal com o dedo do meio e saiu do bus... Se a intenção dele era ofender-me, só conseguiu arrancar-nos umas valentes gargalhadas.
Sobre o funcionamento da cidade em si, sendo cara, a nivel de transportes torna-se economica porque só o metro se paga. É tanta gente, tanta confusão, que não existem revisores e ninguém tira bilhete (nem consegues ver a máquina de tão cheios que vão os transportes sempre). Andei de autocarro à borla e deu-me imenso jeito. De resto, fiquei também a saber que estudantes de arqueologia não pagam entrada em nenhum museu ou ruina em Italia, sendo uma especie de bónus por serem futuramente aqueles que descobriram mais sitios gloriosos em Roma. Ora eu desencantei o meu antigo cartão de estudante de história, falsifiquei algumas datas e... ZAS! Vi tudo sem pagar. Nem coliseu, nem termas... só paguei em museus privados e bens da igreja.
Ainda assim a viagem saiu-me bem cara. Nem tenho coragem de fazer as contas mas entre Italia, o veterinário e outras despesas de certas coisas que decidiram acabar todas este mês obrigando-me a comprar tudo de novo, penso que em duas semanas gastei aproximadamente mil€. Agora é poupar e não meter o nariz fora de casa até repôr tudo nas poupanças!