Não há margem para
dúvidas. Após ler vários blogues sobre o tema, consultar amigos e conhecidos, é
oficial: a mulher vive mesmo num mundo cor-de-rosa.
Tanta gente neste país
que foi ver o filme SNIPER AMERICANO ao cinema e repararam no resultado? Os
homens contentinhos por terem estado quase 2h a ouvir tiros e a ver soldados. E
as mulheres? Todas terminaram o filme vidradas na ideia de como um casamento é
lindo e interessante. Era tudo a babar nas montras das lojas de vestidos de noiva,
nem se lembrando sequer das milhares de cenas de guerra.
Eu por acaso também vi
o filme. Dizem que era de guerra. Eu cá só vi um casal apaixonado bem fofo. E
confere: estou cá com uma vontade de conhecer um soldado espadaúdo e sexy e
pedir-lhe um anel de noivado…
Lembram-se do cenário
negro que descrevi sobre a empresa na qual trabalho? Pois é… o cenário está bem
mais escuro. As trevas totais.
Esta semana, que ainda
agora vai a meio, conta já com 22 despedimentos. E eu hoje fui chamada ao chefe
para me informar que vou mudar de secção. Segundo ele “Raven, sabes que as
coisas não estão fáceis, não vou mentir. Despedimos 22 pessoas mas no teu caso
optamos por uma reintegração noutra equipa. Começas segunda”.
Ele é uma pessoa
correcta. Pelo menos assim me parece. Muito consciente do próximo. Claro que
não faz milagres e não pode inventar trabalho onde não o há. Mas para já, tendo
havido tantos despedimentos em meros dias e tendo reduzido 90% do pessoal para
regime de part-time, agradeço-lhe a atenção de me permitir ser das poucas em horário
laboral normal. Sei que me esta a resguardar a mim e a uns quantos outros que
mudamos de propósito de cidade por este emprego.
Apesar da minha imensa
gratidão, não posso deixar de pensar e me preocupar: mudei para uma secção onde
costuma haver maior nível de exigência e mais despedimentos.
Quero acreditar, ainda
assim, que a mudança é sempre positiva e que tudo se há-de resolver e
encaminhar. No entanto, vocês sabem que eu vos adoro e que tenho em grande
consideração e carinho a força que me enviam sempre, as palavras boas, portanto
toca a fazer figas!
Já dizia esta magnifica
música de Lenine, cantor que tanto gosto.
E hoje deu-me para a
nostalgia, para a introspecção e entendi o quanto evolui, o quanto estou bem
comigo mesma.
Faz hoje 1 ano que sai
de uma relação de 3 anos com data de casamento decidida. Já não faltaria muito,
by the way…
Se na altura foi um
choque, um desgosto, o coração em cacos, hoje tenho a certeza, sem rancor, que
foi o melhor. Estou tão feliz, independente, noutra cidade. Se o ódio e a mágoa
que tinha dele me fizeram mudar de cidade, de ares, hoje só lhe agradeço porque
consegui o que sempre quis: ser independente, uma casa minha, emprego, dinheiro
meu, amigos novos, uma vida social diferente.
Voltei a sorrir, a ser “palhaça”.
Há dias fui a um café e, do nada, meti conversa com a mesa do lado, com 4
raparigas. Fui tão eu, voltei aos velhos tempos, disse tanta parvoíce, tive uma
conversa inteligente. Ao fim de um bocado pediram-me o numero de telefone e
ontem convocaram-me para uma saída, sem opção de escolha. Eu sempre fui isto,
com um poder de atração incrível perante a Vida. As pessoas sempre me referiram
como o cúmulo da boa disposição. E durante aqueles 3 anos de relação,
respeitando o grande amor que vivi e senti, a verdade é que com tantos obstáculos
e problemas eu mesma fui definhando e tornando-me mais cinzenta. Logo eu, que
era tão verde e vermelho como a nossa bandeira! Deixei de querer viver sozinha,
sair da terrinha para viver aquele amor. Não me arrependo e a minha maior
vitoria é falar assim, agora, desta forma, sobre tudo. Não me arrependo, ainda
bem que vivi aquele amor e ainda bem que terminou. Estou tão feliz e têm-me
acontecido tantas coisas boas ultimamente. E sou, acima de tudo, grata por esta
minha espiritualidade constante, esta vontade de ser um bom ser humano, melhor,
a cada dia. Sou grata por conseguir olhar actualmente para aquele homem com
quem quase casei sem medos, sem incómodos, sem coisas más no peito e
desejar-lhe felicidade e paz.
Gosto de mim! E todos
nós deveríamos amar-nos acima de qualquer outra pessoa.
PS: Estou a
escrever-vos enquanto coloco umas perninhas de frango no forno e me preparo
para tomar um duche quentinho e me enfiar num pijama polar fofo. Vou ver tv,
filmes. Comer pipocas, bolo de bolacha. Beber chocolate quente e chás. É tão
bom sermos nós próprios no nosso espaço! E sobretudo é tão digno e maravilhoso
termos consciência de nós e conseguirmos ser melhores, só com sentimentos reais
e bons. Não façam do passado uma desculpa nem um animal de estimação.
Ainda me lembro de ter
escrito isto em 2012, no meu aniversário.
E quis a Vida que eu me
tornasse amiga há cerca de um ano da ex namorada deste anormal que me tentou
agarrar à força.
Hoje tive de ser uma
grande amiga e acompanhá-la no enterro dele.
Não vou ser hipócrita,
ele tentou forçar-me, era um porco, cabrão, o mundo não perdeu um génio. Mas
acompanhei a minha amiga e surpreendentemente não me lembro nunca de ter
chorado tanto num velório. Não pelo morto, claro. Mas pela sua família. Aquela
irmã adolescente que gritava que ele estava vivo, que jurava por tudo que o
tinha visto mexer as pálpebras. Aquela mão que gritava igual a um animal ferido
até desmaiar e tinha de ser frequentemente reanimada.
Nunca na vida senti um
ambiente tão negro, tão pesado e sufocante. Eu só chorava e chorava e soluçava
cada vez que ouvia os gritos daquela mãe.
PS: O tipo morreu por homicidio por uma dívida de droga. Como disse, sendo fria mas sincera, o Mundo não perdeu
ninguém importante.
Queria partilhar
convosco a carinha laroca que resgatei perto do fim do ano. Que ela me abençoe
o 2015 e que seja adoptada por alguém cheio de amor no coração.
Tenho ido visitá-la 2x
por semana e passear com ela.
Quando aqui solto as
minhas angústias, o vosso apoio faz-me sempre sentir melhor, com mais força,
mais serenidade. Portanto, hoje preciso mesmo de boas energias. A minha médica
passou-me uma Baixa até sexta-feira. Só irei trabalhar sábado. Não posso sair de
casa, sinto-me aborrecida e tenho demasiado tempo para pensar. Logo, ponho-me a
pensar no que não devo, no que me causa ansiedade: o trabalho.
As coisas continuam
mal. Somos muitos e o trabalho é pouco. Há 2 semanas começarem os despedimentos
e a redução de carga horária. Claro que prefiro que me passem a part-time,
dando-me a oportunidade de procurar algo mais do que me despeçam. Mas com isto
do dedo fiquei mesmo aflita. É apenas um dedo. Durante o fim-de-semana quando
tudo aconteceu, doía-me bastante, ainda tentei ir trabalhar, estive lá 3h e já
estava a ser arrogante para as pessoas, tal era a minha impaciência com as dores
e desconforto. Mas agora já estou bem. O dedo continua inchadíssimo, vou até
fazer um raio-x amanhã para garantir que não aconteceu nada de mais mas já
suporto a situação, não sinto grande desconforto nem dores que se notem. E
assim sendo, colocando-me de fora, não parecerá que simplesmente pedi baixa
porque sim? Só por um mísero dedo? Nesta fase da empresa, de selecção,
despedimentos, não parecerá que me estou a borrifar? Eu por mim até me sentia
bem para ir trabalhar hoje. Mas a baixa já foi emitida.
Estou de Baixa pela
primeira vez na Vida e sinto-me idiota. Nunca fui queixosa e agora aqui estou,
a olhar para o tecto, já vi todos os filmes possíveis, sinto-me estúpida e acho
que me enterrei no trabalho. Acho que dei demasiada importância a este dedo
numa fase delicada que pode vir a correr muito mal. E o facto de todos me
dizerem isto, só piora o que sinto.
Com isto de estar de
baixa, o que mais faço é ver filmes já que não posso sair de casa. No entanto,
houve alguns que realmente se destacaram.
Adorei! Uma forma
divertida e inocente de mostrar às crianças o que é a morte e o quão natural
ela pode ser. Uns desenhos animados lindos, coloridos e o Diego Luna está
genial.
Valeu a pena por me dar
a conhecer a vida de alguém tão admirável, com uma filosofia de Vida tão
humilde e reikiana. Já o filme em si, poderia ter sido realizado pelo Clint Weastwood,
pois é emotivo, dramático e parado, tornando-se aborrecido.
Divertido, este filme
conta as origens do Vibrador, que curiosamente foi criado como aparelho de
medicina. Leve e interessante.
Simplesmente, o Eddie
Redmayne merecia ganhar o Óscar de melhor actor! Adoro-o. Sei que é pouco
conhecido mas neste filme fica explicito o seu grande talento. Gostei muito da
história porque, confesso, sendo fã de física, de astronomia e do Stephen
Hawking, desconhecia por completo a origem do seu estado. Sempre o associei,
sem me informar, a algum acidente. O filme é maravilhoso, objectivo, muito bem
conseguido.
Uma gata cá da rua
apaixonou-se pelo Eros. Vem todas as noites chamá-lo, têm grandes diálogos e a
coisa parecia correr bem. Quer dizer, ele parecia entusiasmado e isso.
Ontem, eu feita parva e
sempre iludida que o meu gato não é tão besta como a sua fama almeja ,decidi
convidar a gatinha a entrar.
E a minha ideia triste
culminou nisto:
O Eros lançou-se à gata,
furioso por ver o seu espaço invadido, eu sai em pijama atrás deles, eram quase
2h e consegui agarrá-lo, antes que houvesse homicídio. Mas assim que o agarrei,
ele descarregou toda a fúria em mim. Gritava, cravava-me os dentes e eu só via
sangue. Tive uma quebra de tensão enquanto o atirava para dentro e casa. Foi o
horror. E hoje tive de faltar ao trabalho e meter baixa.
PS: meter baixa quando
a empresa está numa onda de despedimentos… e em 6 meses de trabalho já fui 3x
às urgências… ai mãe!