segunda-feira, 9 de março de 2015

Parte chata do Reiki


O período de 21 dias.
O pior que me podem fazer é gerar uma rotina e isto de uma pessoa ter de acordar cedo ou querer ver um filme e ter de estar a dispensar entre 30min a 50min para o auto-tratamento tem muito que se lhe diga.
E este nível II faz-me sentir, ainda por cima, uma xamã lá no meio do oeste americano. Só me falta fazer a dança da chuva. Isto dos símbolos é estranho, dá que pensar. Sinto-me uma feiticeira com a inquisição à perna. Os meus vizinhos até devem achar-me louca, que isto de me ouvirem a cantar mantras às tantas da noite parece coisa de ritual satânico.

Que comecem hoje os 21 dias a ver se me dão força e inspiração lá no trabalho.

domingo, 8 de março de 2015

Pela fé no amanhã

Porque há um dia da Mulher e não há do Homem?
Nem me vou pronunciar sobre a origem do dia, aquelas mortes e afins, vou-me cingir ao actual, ao que conta para além da memória.
Parecendo que não, a igualdade de géneros ainda é mito. Porque é. Nos cargos inferiores, nem se nota muito porque, regra geral, ganhasse sempre o ordenado mínimo e ponto. Mas à medida que vai havendo progressão na carreira, aí sim, meus caros, é notória a diferenciação, como se usar saias implicasse menos competência, menos mérito e, por conseguinte, menor remuneração.
Continua a não ser permitido o cargo de Papa a mulheres, continuam a ser raras as Primeiras-Ministras e Presidentes da República. Até em algo tão tonto como reallity shows, ganham maioritariamente os homens.
Já para não mencionar o assédio. Um homem pode sair à rua de calções, já a mulher se sai, ouve bocas, recebe olhares e, com um bocadinho de jeito, ainda é violada e acusada de ter a culpa por andar a provocar.
Assim sendo, FELIZ DIA DAS MULHERES e lutemos, unidas (não vale esgatanharmo-nos por homens, eles já perceberem que nos vencem assim) por um amanhã com igualdade real.

sábado, 7 de março de 2015

Já dizia o outro, “Se a Vida te dá limões…”

Chamem-me arrogante, petulante, pobre e mal agradecida mas eu continuo a achar um suicídio intelectual ser empregada de mesa.
Se gosto de trabalho? Sim. O ambiente é bom? É.
Ando de um lado para o outro numa esplanada, os amigos visitam-me, dou dois dedos de conversa, apanho sol, vejo pessoas, rio, ganho bastante acima da média, vou começar a viver realmente bem mas… e o meu preenchimento? A minha ambição pessoal? Naaahhhh! Não há cá pão para malucos, minha gente. Não há ordenado chorudo que compre a minha realização pessoal.
Mas como neste momento é o que temos, é a realidade que se me apresenta e, como detesto gente queixinhas, chorosa, sem força para encarar a Vida, já tomei uma aitude: enviei um artigo para uma revista, propus-me assim à descarada. Os meus amigos disseram, apreensivos, “Oh Raven, achas mesmo que mandas um mail e começas a publicar numa revista conhecida cá no país?”. E eu relembrei-os que sou dona de uma sorte, um poder de atracção surreais. E claro, hoje recebi um mail a pedir um artigo até seis mil caracteres para posterior avaliação e, quiçá, publicação.
Toooooooooma lá!! Tirar cafés não me matará os neurónios.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Sei que algo não está bem na minha realidade quando…

… ando a ler o Harry Potter e vejo estas séries:






Inconscientemente fazemos coisas que nos mostram como nos sentimos sem querermos encarar a verdade. E eu acho que, claramente, ando a recorrer a fugas de rotina, a fantasias, a magia e heróis.

E depois dou por mim a ver este filme com uma caixa de lenços ao lado:


Valha-me Deus que me tornei numa lamechas, empregada de mesa em tão pouco tempo. Se a tendência for para pior, em 2 semanas vou estar a participar daqueles encontros de nerds, que se juntam todos no campo vestidos à Senhor dos Anéis.

Conversas #33#

Vejo um senhor com um cão, a passear.
Obviamente, lá vai Raven dos Patudos, de coraçãozinho aos pulos e cara de “oiiiin tão lindo”.
Brinco com o cão e tal e diz o senhor, “Ele é muito bem tratado. Tem de tudo, do bom e do melhor. Aliás, lá em casa sempre gostamos muito de animais, sempre fomos amigos dos patudos, eu até fui caçador durante muitos anos”.
E sorria-me. Luminoso.
Acho que me perdi na frase…

quarta-feira, 4 de março de 2015

E após o 1º dia…

… só peço a Deus, ao Universo, que não me deixe perder a fé nesta crença:


O ambiente é regular (somos 7 mulheres, só mulheres; desconfio de ambientes destes), as funções são básicas e monótonas, os clientes afáveis, a cozinheira é parva e parece querer que eu me sinta a mais, o tempo passa a correr, são muitas horas de “corre corre”.
Resultado: dói-me tudo, estou exausta, só quero ver um filme e hibernar e, acima de tudo, quero outro emprego! Sou uma pessoa directa e de extremos, ou adoro ou detesto e, pela primeira vez na vida, encontrei um trabalho que não me diz nada. Nem de bom nem de mau. É um ambiente normal, funções normais, nada de mais, tudo sem sabor e ali está o meu cérebro universitário a servir cafés e almoços. As funcionárias são as mesmas desde à 11 anos. Nos tempos que correm, um emprego assim tão estável é considerado um tesouro mas para mim, estabilidade em troca da minha inteligência só irá gerar frustração.
Estou muito desanimada mas não quero valorizar muito este sentimento, afinal foi só o 1º dia. Dentro de uns 3 ou 4 dias mais vos direi. Mas neste momento, sinto que entrei para uma armadilha, um daqueles trabalhos raros em estabilidade, em qualidade de vida (dinheiro) que acabará por me fazer sentir na obrigação de me considerar sortuda ainda que infeliz. Sinto que acabei de castrar os meus impulsos e sonhos.
Só quero acreditar que isto seja uma fase, que o meu verdadeiro caminho irá aparecer em breve.

terça-feira, 3 de março de 2015

Tudo a postos


Camisa branca. Check.
Calças pretas mas elegantes. Check.
Calçado preto confortável. Check.
Investimento feito, vamos lá ver como corre o primeiro dia numa área que desconheço por completo.
Torçam por mim!

Cronograma de uns dias surreais

Quarta-feria, dia 25, o meu Aniversário.
Quinta feira, dia 26, 23h, vejo o meu recibo de vencimento agora que sou trabalhadora em part-time e adormeço a chorar ao entender que já não vivo neste cidade, sobrevivo.
Sexta-feira, dia 27, 13.12h, levanto-me num acto de tristeza, pronta para expor as minhas preocupações ao meu chefe, pronta para explicar que se não me devolver rápido um horário a 8h diárias, me terei de despedir e voltar a casa da Mammy louca. Nesse momento toca o telemóvel. Eu estava a 4 passos do meu chefe. O telemóvel insiste. Um numero que não conheço. Decido atender primeiro e falar com o chefe depois. Era de uma cafetaria/restaurante, a quererem marcar uma entrevista de emprego comigo para Segunda. Acedi. Sem grandes expectativas, afinal nunca trabalhei em hotelaria, nunca tirei um café nem sei onde se liga aquela máquina grande e medonha. Mas não pude deixar de pensar nas coincidências: ligaram-me exactamente desta cafetaria para uma entrevista na minha primeira semana de trabalho no Call Center, Obviamente recusei. Agora que ia discutir o meu futuro com o chefe, ligam-me novamente deste sitio. Fiquei, com a minha veia espiritual, a ponderar se não seria um sinal.
Sábado, dia 28, faço o II nível de Reiki e peço muito ao Universo por um emprego digno e honesto que me permita viver despreocupadamente.
Domindo, dia 1. Compras, leituras e mimos ao Eros. Reparo que tem uma bola no queixo. Fico aflita perante a minha falta de dinheiro para o levar ao veterinário.
Segunda, dia 2, 10.30h, entrevista de emprego. Inicia-se de forma rude. Dizia-me a dona do espaço “Então o que a leva a deixar aqui um currículo se nunca tirou um café na vida?”. Senti-me a enterrar na cadeira. Mas avancei. Expliquei que não me identifico com a minha geração, onde todos se queixam das circunstancias mas nenhum larga a carteira do pai, onde ninguém arrisca, onde todos são doutores e se recusam a trabalhar em menos do que julgam ser um status. Eu quero trabalhar em algo honesto, tenho uma licenciatura congeladíssima no último ano que nem pondero retomar e não me envergonho se tiver de aprender a servir almoços. Quem quer trabalhar e ser honesto, esforça-se. E a conversa descambou em 2h sobre a minha vida pessoal e a da dona, sobre os filhos dela e o meu gato, sobre o passado dela e os meus voluntariados. Até que ela me diz “Tirar cafés, qualquer um aprende. Já bons valores, ou se nasce com eles ou não se inventam. Gostaria que trabalhasse cá, quero ter a certeza que tenho alguém de boa índole nesta empresa. O resto aprende-se. Sente-se preparada? 30 dias à experiencia. O que me diz?”. Fiquei indecisa… largar o pouco mas certo que tenho no Call Center ou arriscar num emprego a tempo inteiro, onde me pagam bem melhor mas onde não tenho a mínima experiencia ou noção? Ainda para mais, 30 dias à experiencia… e a cafetaria e o Call Center não se podem conciliar, não dá. Perguntei directamente “Para arriscar aqui, terei de me despedir. Perco tudo”. E a dona acrescenta “Raven, confie. Eu acredito que se sairá lindamente. Vai correr bem”. E assim senti que devia arriscar. Sai de lá, fui directa para o Call Center, falei de coração aberto com o meu chefe e ele lá me passou uma carta de demissão com data falsificada, para parecer que avisei a entidade patronal com 30 dias de antecedência e para não me empatar a vida. Hoje, oficialmente, demiti-me. Em tempo record.
Começo quarta-feira às 7.30h na Cafetaria onde nem sei fazer um cappuccino ou ligar a máquina do café.
Deus me ajude que, até para mim, este foi um lance muito extremo. Nunca arrisquei tanto. Tenho medo e ao mesmo tempo orgulho de mim.
Hoje, terça.feira, é a ponte que tenho para me desligar do mundo das telecomunicações e começar a pensar em ser rápida, ter boa memória e correr de mesa em mesa entre horários complicados. Tenho tanto medo de não conseguir. A minha nova chefe avisou que o importante neste emprego é ser célere e eu sou conhecida por fazer as coisas bem, dedicada mas devagarinho, sempre fui meio lenta a trabalhar. Estou nervosa, com coisinhas no estomago e em pânico!


domingo, 1 de março de 2015

Como terminar a semana e iniciar o mês

Com questões domésticas.
São 21.11h e tenho uma pilha de loiça assustadora para lavar.
Tenho ainda a banheira para desentupir (vocês não sei, mas eu a cada banho perco uma peruca).
Tenho o jantar para fazer (umas salsichas frescas grelhadas com arroz e salada).
Tenho ali uns mirtilos à minha espera (obrigado Pingo Doce pela promoção, que eu amo mirtilos mas são sempre tão caros!).
Tenho ali o manual de reiki para espreitar.
Tenho ali umas tiras de milho para petiscar enquanto vejo a Casa dos Segredos.
Tenho os meus cristais para limpar.
Tenho de mudar a caixa de areia do Eros.

Primeiro que tudo vou só ali meter esta musiquita a bombar:


Eu cá gosto de me sentir sexy a lavar loiça e de esfregona na mão!


Onde está o Amor? # Março


Este mês a boa acção foi para os patudos.
A Associação Animal cá do sítio estava a fazer um peditório alimentar e eu ajudei como pude.
Houve ainda quem me criticasse, quem questionasse o facto de me terem reduzido o horário laboral e de nem saber se poderei continuar a viver, a manter-me nesta cidade sem morrer à fome e ainda assim gastar dinheiro com “estas coisas”. Apenas respondi o que sinto: não será o valor desta saca de ração que me permitirá ficar ou partir. Além disso, se a minha vida chegar ao ponto em que eu deixarei a minha humanidade e solidariedade de parte, algo estará muito muito errado.