sexta-feira, 15 de julho de 2016

Eu já nem sei se sou daqui

Tenho amigos que frequentam a Igreja Maná, a Evangélica, a Adventista, a Mesquita e a Igreja Católica.
Sempre que algum me quis mostrar a sua fé, eu fui.
Não me identifico com nenhuma mas de vez em quando gosto de ir a templos budistas, sinto-me bem, ainda que não siga nenhuma religião. Isto para vos dizer que, tendo em algumas destas igrejas visto coisas que me chocaram de tão medievais e ridiculas que me pareceram, sempre fiquei quieta, em silencio, a ouvir. Julgamentos só na mente, sem exteriorizar porque afinal cada um sabe de si e eu fui porque quis.
Portanto, não entendo a dificuldade de se comportarem como eu a nivel mundial.
Parem de se matar uns aos outros e com esta merda de "O meu Deus é melhor que o teu!". Se Deus existir tem mais que fazer que discutir o seu nome e importancia e nacionalidade pah!
Eu duvido muito que o atentado em Nise tenha sido levado a cabo pelo Estado Islamico. Parece-me mais obra de um daqueles desocupados que se entretem a ver videos da propaganda do Daesh e toca a imitar como pode.
Assustador quando vemos adolescentes na Europa, bem formadas, a mudarem após verem esses tais videos e a chacinarem as suas familias.
Agora é o golpe da Turquia com tiroteis desde helicopteros.
E, parecendo que não tem nada a ver, esta semana dispararam as queixas de violações nas festas de San Fermin em Pamplona. Espanha! Aqui ao lado. Uma rapariga de 18 anos foi violada por tipos ali da zona. Quatro! Como é isto possivel?
Entre religião, gente de mente fraca, europeus porcos que forçam jovens... eu já nem sei em que mundo vivo mas assusta-me. Tenho medo do dia de amanhã, do momento em que perderemos a liberdade de sermos nós, como queremos, de podermos ir ver fogo de artificio sem morrer, de podermos conhecer o mundo sem nos explodirem o avião.
E as imagens dos Venezuelanos a passar a fronteira, a levar porrada de militares, só porque querem arranjar comida?
Eu começo a achar que desespero é a palavra deste mundo actual.

De Italia IV

Nápoles.


E de como eu fui idiota e cedi na minha politica de sempre viajar só.
Nápoles não é Roma. Nápoles é a 2a cidade por excelencia da Máfia, sendo que controlam a recolha do lixo e quando há problemas com a população local, o mesmo não é retirado das ruas, tornando-se a paisagem e o cheiro intensos.
Nápoles parece um grande bairro social, tudo é cinzento, marcas de balas nas paredes dos prédios mas o povo é muito humilde e só quer é ganhar os seus trocos com os turistas. Comparativamente a Roma é bem mais barata!
É a partir de Nápoles que se apanha uma especie de metro que vai para Pompeia.
Ora a amiga que viajou comigo só foi a Pompeia. Portanto, ela só conheceu a estação de metro. Foi o suficiente para ela se recusar a ficar em Nápoles, alegando o mau ambiente, as pessoas "estranhas" e a criminalidade. Portanto a minha viagem de 8 dias que incluiria 2 em Nápoles e um em Sorrento ficou completamente lixada. Ela recusou-se a ficar por estes motivos que eu considero ridiculos (o povo é pobre, não se pega nem te vão deixar com piolhos) e conseguiu, do alto da sua postura tipica de turista chines (fotografar tuuuudo sem respirar e nem olharem redor) sem assaltada no Vaticano, ser assaltada no metro, apanhar uma insolação e que o multibanco lhe comesse o cartão ficando totalmente dependente de mim. Eu já estava farta! Aliás, explodi mesmo num determinado momento. Pela primeira vez numa viajem, não pude falar com estranhos, fazer amigos, perder-me. Tinha de estar sempre de olho nela que se metia em cada situação, parecendo uma idosa de 80 anos de Piodao que via a capital pela primeira vez.
Enfim... ainda assim consegui pelo menos ir a Nápoles sozinha um dia.
Impressiona e de facto a primeira reacção quando se chega à estação é agarrar bem a mala mas quando começamos a caminhar pelas ruas e vemos que tudo é assim, que não existe uma zona bonita, menos cinzenta e com menos lixo, vemos que aquilo é o "normal" da zona e ninguém te vai tirar um pedaço por isso. Sinceramente, gostei! Sociologicamente foi interessante. E pude ver no Museu Arqueologico os frescos de Pompeia que se encontravam nas casas de prostituição.





Pompeia é giro e vale a pena pagar por um guia. É muito barato e fiquei arrependida de não o ter feito.
Neste dia sim, conheci pessoas e vivi experiencias fantasticas.
E memorizei, bem fundo no consciente e sub-consciente e inconsciente: NUNCA MAIS VIAJAR ACOMPANHADA!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Pareço o Dr. Dolittle

Encontrei este cão hoje.


Está cheio de carraças e com marca de uma coleira no pescoço. Ou se soltou e fugiu ou o abandonaram para ir de férias.
Pelo sim, pelo não, trouxe-o comigo. É super simpático, parece sorrir a todo o momento e só pede abraços e beijinhos.
Juntei-o aos outros 2 que cá tenho em FAT e deram-se bem.
Entretanto, tinha à porta uma visita:


Este gato aparecia aqui na aldeia de vez em quando. Pensei que fosse abandonado porque está muito magrinho. Contudo o pelo parece tratado.
Andei por aí a fazer perguntas e uns dias depois ele apareceu de coleira. Disseram-me que ele deve ser de um casal idoso, já com pouca autonomia, que não tem como cuida-lo. Mas foi um "disseram-me"... ninguém tem a certeza de quem ele é.
Na dúvida, deixo-o estar. Hoje, que os cães foram ao vet e só cá está o novo, o gatinho ganhou coragem e subiu a rua e sentou-se na minha porta. Vinha cheio de fome e sede. Entrou pelo quintal adentro e o cão novo morreu de medo! Começou a chorar e escondeu-se na casota. O gato até lhe comeu a ração!
E neste momento tenho os dois no quintal, sendo que até lhe deixei a cama do Eros lá fora caso cá decida dormir (é desta que o Eros Miguel me demite...).

terça-feira, 12 de julho de 2016

Do meu primeiro Sunset

Estive lá 20min.
A música era óptima e apetecia-me dançar mas o ambiente de caça era tão intenso que já estava a ser desagradavel.
Mal cheguei com as minhas amigas (eramos 4) fomos logo abordadas por 6 tipos que queriam à força reservar uma mesa para 10 para jantar. E era vê-los a meter as alianças nos bolsos (nojento...). Estas situações fazem-me pensar se nunca terei sido traida e se não existirão pessoas dignas e correctas actualmente. Nunca trai nem me imagino a fazê-lo. Quem está mal, muda-se. Eu já terminei uma relação justamente por querer estar com outra pessoa. Sejam corajosos e deixem-se de merdas!
Depois eu lá me livrei deles e fui para a areia dançar. Mas mais uma vez, era caça em todo o lado, gente a abordar gente com uma linguagem corporal expressiva.
Dizia-me uma amiga "Vai Raven, aproveita! És solteira!". E ficou estupefacta perante a minha cara séria e a minha afirmação "Nunca sai para engatar nem nunca o farei". E lá lhe expliquei que não sou de aventuras, não sei que seja isso de one night stand. Não preciso de sexo para nada se não sentir algo pelo outro. Não saiu para me esfregar em desconhecidos e trocar numeros de telemovel. Eu conheço pessoas casualmente, por qualquer motivo especifico e as coisas fluem. Apenas isso. E gosto de conhecer pessoas com conteudo, que sejam interessantes de facto. Não quero perder tempo com tipos bonitinhos que parecem todos saidos de uma fabrica em serie, cuja unica conversa se resume a moda, sol e pensam que o Tolstoi é uma prato de comida.
Em suma: vim do sunset mais depressa do que fui e muito desiludida com a sociedade actual. Não há homens que vão a bibliocafes, a museus, que gostem de viajar e que não pensem em pinar todo o dia uma gaja diferente?!?

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A única coisa interessante da selecção nacional:





Moreno de barba. Está. Fisicamente é o que me atrai num homem e quem bem que eu ficava com um Rafa destes aqui na sala.

domingo, 10 de julho de 2016

O mundo é um T0

Não gosto de futebol. Não percebo nem me causa qualquer interesse.
Acho ofensivos os ordenados dos futebolistas quando o seu emprego não me parece nada útil comparativamente a um médico ou bombeiro.
Muito menos sou nacionalista. Acho que grande parte do mal do mundo vem das fronteiras, dos nacionalismos, da tipica treta "o meu país é mais rico que o teu, o meu povo tem mais talento, o meu é mais branco ou amarelo, o meu tem mais petroleo".
Para mim o mundo é e sempre será de todos. Ainda que infelizmente a realidade não seja essa. Eu não sou melhor que uma indiana que lava a roupa no Ganges, nem ela é melhor ou pior que uma venezuelano que luta por melhores dias.
Mas no meio disto disto tudo confesso que, pela primeira vez, gostaria que Portugal ganhasse o Euro. O futebol não salva vidas nem é importante mas uma vz que a maioria perde a cabeça por ele, deveriamos ganhar. E porquê? Para que a França entenda que não é exaltando nacionalismos de forma xenófoba que se vai lá. Não há necessidade de escrever ofensas a outro país por algo tão ridiculo quando 11 tipos a correr atras de uma bola. E como eu já tenho a França entalada na garganta há muito devido à sua politica de serviço social, quero mais é que se lixem em algo que consideram importante!

PS: para quem não se deu conta nunca, a França tem politicas como colocar picos que magoam em bancos de jardim para que os sem abrigo não durmam lá, retirar animais à força a estas pessoas indigentes (quando se nota que são a sua única companhia e os tratam tão bem quanto possivel), entre outras coisas mais graves...

FORÇA PORTUGAL!
ENFIA-LHES OS ESCARGOTS GOELA ABAIXO!
Não por futebol nem nacionalismo, não pela nação, mas para que os avecs entendam que respeito é bom e todos gostamos.

Meco


"Pede um desejo, este é o pôr do sol mais bonito de Portugal".
Assim disse ela e eu apenas pedi ser feliz. Ser feliz e sentir-me em paz, encontrar o que procuro (seja lá isso o que for...).
5 mulheres tão diferentes, todas com os seus obstaculos actuais.
Aquele momento, todas de mãos dadas foi mágico. Sobretudo para mim. Senti apenas gratidão. Senti que não tinha algo especifico a pedir à Vida. Senti-me apenas grata de estar ali, de as conhecer mesmo que dentro de meses já nem nos falemos, de poder ver e sentir aquele ambiente. Senti-me em paz por, apesar de estar onde não quero, estar como não quero, naquele momento não ter querido pedir nada ao Universo; apenas senti o aqui e agora, aproveitei, respirei fundo e aceitei o que vier.

GRATA pelo dia de hoje e pelo sentimento de paz, aceitação, confiança e entrega que há muito não me invadia.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Julho chegou de estalo!


Hoje retornei ao trabalho depois de 2 semanas de férias. E para meu espanto... não tinha trabalho!
Durante a minha ausencia, a minha secção fechou. Trabalho numa empresa que, estando geograficamente aqui em Lisboa, é internacional e trabalha com Espanha, França e Norte de África. Eu trabalhava directamente com Madrid, falando, escrevendo, lendo espanhol todo o dia, tendo o relogio em hora espanhola, numero de telefone espanhol, etc. Hoje fui informada ao chegar (sem qualquer aviso prévio ou noção de respeito) que passaria a desempenhar novas funções, as quais nem me entusiasmam. Mas pronto, vou manter a mente aberta. Terei agora uma formação de 2 semanas e depois logo se vê se me sinto à vontade. Não estou confiante mas rezo para que corra bem, preciso do emprego, o ambiente é optimo, sempre me facilitaram tudo para conciliar com as exigencias da faculdade / estágio e nesta nova função o ordenado aumenta (sendo que possivelmente o horario também muda e deixa de ser tão bom).
Vamos ver o que me espera...

Finalmente sairam hoje as notas todas. 1º ano de licenciatura feito!
Ainda que tenha tido uma nota ridicula na prática. Se soubesse... tinha ido a exame! Tive uma excelente nota no relatorio de estagio para depois, com percentagens e coisinhas como presenças (sim... sou baldas e raramente vou às aulas) e baixarem escandalosamente a nota. Que ódio! A nota mais baixa do ano é justamente a prática. Ridiculo!
Mas que se lixe... está feito o ano. No inicio queria apostar numa boa média mas sinceramente, de momento só quero é despachar isto e ir embora.

Esta semana também o senhorio decidiu tentar fazer de mim o "regresso ao amor no verão". Viu-me à espera do autocarro e teimou em oferecer-me boleia Foi preciso recusar umas 4x e ser arrogante para ele entender e sair furioso, com o carro a mil.
Depois atacou com umas sms, sendo a minha resposta "Bom dia. Informo que estás a enganar-te sucessivamente no envio de sms. Atenção que isto certamente não é para mim". E assim se destrona um playboy. Sossegou logo.
O peixe também telefonou. Não atendi. Mandou sms a dizer que gostaria de saber como estou e que sentia saudades. Respondi "estou viva, obrigada". Também não tentou mais a sua sorte.

E pronto... assim inicia hoje o meu verão. Com uma especie de "emprego novo" e com o ano lectivo concluido oficialmente.
Até setembro será assim.
Em setembro retomam as aulas e, segundo o meu chefe, talvez a minha secção volte, a qual, ainda que me paguem menos, eu prefiro.
Wish me luck!

sábado, 2 de julho de 2016

De Itália III

Dos bons exemplos de Roma (infelizmente, já me alertaram que no resto de Itália, sobretudo a sul, o exemplo é exactamente o oposto).
Adorei ver o carinho com que tratam os seus animais. E curiosamente todos de grande porte. Cá nunca se adoptam rafeiros alentejanos nem serras da estrela e é compreensivel. Poucos possuem casas grandes com quintais e espaços bons e, tendo em conta a nossa recente legislação e preços praticados pelos veterinarios, sabendo que cada tratamento / medicação é ao peso, ficamos desencorajados. Pois em Roma só vi cães que mais pareciam burros e sempre que parava para os admirar, os donos metiam conversa comigo gabando-se de há quantos anos os tinham e contando gracinhas que costumavam fazer, os olhos transbordando amor.
Conheci o Zulu. Um cão pequeno, parecido a uma raposa. A sua dona olhou-me com desconfiança e disse logo "Ele foi abandonado, adoptei-o numa associação já há 3 anos mas ele continua medroso. Não se relaciona com ninguém, nem a minha familia. Por isso escusa de tentar". Nisto, o pequeno Zulu veio, encostou-se a mim, eu baixei-me e ele olhou-me nos olhos, cabeça encostada no meu ombro e lambeu-me. Depois puxou-me a mão e deu-me a patinha.  A dona ficou incredula e só repetia, de mãos na cabeça "Ele está apaixonado!". Foi um momento giro.
Vi muitos animais dentro de lojas de roupa e várias campanhas de rua contra o abandono.
Conheci um senhor com uns 70 anos que passeava com o seu pastor belga de 12 anos e me contou que o tinha desde bebe.
Conheci a Estina, a gatinha preta de 12 anos que ia no metro em Nápoles com a sua dona. Ia ao veterinário. Ia sentada ao colo da dona, muito curiosa, linda pantera.
E vi também que em Roma se vendiam muitas coisas relacionadas com gatos: imans, marcadores de livros, quadros, calendários aos pontapés intitulados "gatos de Roma". Uma guia local explicou-me que existem inumeras colonias, todas sustentadas pela Câmara. Os gatos são vistos como seres vivos com direito a dignidade e inclusive consideram-se um atractivo turistico. Quando expliquei que em Portugal as colonias se exterminam ou são apedrejadas, os romanos olharam-me com horror, referenciando a legislação dura que têm para o efeito. Senti-me com muito orgulho deles. Como uma romana me disse "Não se matam animais!".

Gato de rua em Roma
 
 Cães a dormirem dentro das ruinas de Pompeia


Imans

Cartaz numa loja

"Não me abandones"

sexta-feira, 1 de julho de 2016

De Itália II

Bruscheta

 Lasagna e pasta

Focaccia

Risotto

Pizza

Tudo divinal e não muito caro. Há inúmeros menus turisticos e nos bairros residenciais encontram-se pratos a 7€.
Sendo que Nápoles é muito mais barato que Roma.