terça-feira, 11 de outubro de 2011

Adendas

Sobre o arraial académico:
Pensava que iria ficar saudosista e triste por já não poder fazer parte daquele mundo. Mas até não. O que senti foi o oposto; senti que já nada me liga aquele mundo, que foi uma fase da minha vida que já se fechou. Diverti-me sem dúvida, mas foi pelo facto de estar com as minhas amigas. Não teve nada que ver com aquele espaço cheio de trajes.
Não sei para onde vou, mas sei que ali já não me faz sentido retornar.

Sobre o meu namoro:
Surpreendentemente, o João não terminou tudo comigo.
Aliás, nem tocou no assunto. Fez de conta que nada tinha acontecido. É estranho e não estou habituada a que as pessoas não me enfrentem e não se chateiem.

domingo, 9 de outubro de 2011

E amanha o meu namoro deve acabar…

Casou um primo do meu namorado.
Eu detesto conveniencias sociais (casamentos, baptizados e afins…).
Fui contrariada, tive de assistir a uma missa com duração de 1.30h (nem sequer sou cristã), tirar fotos com sorrisinho amarelo e ir para um restaurante conviver com quem não conheço e ouvir música pimba.
Pensei para comigo: “Raven da Silva, isto se calhar lá para a 1h da manhã tá a terminar que o senhor do restaurante deve ter mais que fazer!”.
Qual quê, santa inocencia?!? Aparece uma moça que me destruiu a minha feliz ilusão ao anunciar que haveria ceia e o casamento seria madrugada fora!
Ai passei-me!!!!
Cheguei perto do meu namorado e disse friamente: “Não aguento mais! Estou à 12h a fingir que faço parte disto! Detesto reuniões familiares, não conheço ninguém, odeio casamentos, não quero casar nunca, quanto mais levar com o casório dos outros! Arranjei boleia, vou-me embora. Até amanha”.
E sai. Tou em casa desde a 1.45h, muito feliz e aliviada por ter saído daquele ambiente popularucho e pimba.
Não é que me julgue superior, mas ambientes populares e ruidosos não são para mim. Troco isso tudo por uma boa exposição ou uma tarde a ler Fernando Pessoa.
 
 
PS: Se eu podia ser querida, participativa, esforçar-me, ser simpática e fofa? Podia… mas não seria eu! Porque eu sou fria e não gosto de ambientes familiares.E não finjo ser outra pessoa por ninguém.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Rectas e intersecções

Sou uma crente irredutivel no Destino!
Não sei se Deus existe, se tenho um anjo da guarda, se Lúcifer me espera mas de uma coisa tenho a pura certeza: tudo está destinado e cada coisa chega no momento certo e por um sábio motivo.
 
 
Há 6 ou 7 anos atrás, enquanto lia o blog do pai de uma amiga minha, chamaram-me à atenção os comentários de um jovem rapaz sempre muito acertivo e sensível.
Com tanta curiosidade, acabei por ir espreitar o blog do dito cujo e gostei bastante do que li. Pareceu-me uma pessoa incrível, diferente, com uma visão do mundo muito própria.
Comecei a comentar o blog dele, começamos a falar, trocamos mails.
Descubri um rapaz com mais 5 anos do que eu, enfermeiro, muito maduro e sensivel aos problemas dos restantes.
A verdade é que durante todo este tempo temos desabafado um com o outro. Sempre por internet! Mas conhecemo-nos muito bem ao longo destes anos.
 
 
Ontem à noite recebo uma sms dele a perguntar-me se o poderia receber na minha cidade. Decidiu vir conhecer-me e passar o dia comigo.
Fiquei meio nervosa. Não que eu pensasse que o rapaz poderia ser um violador! A conversarmos à tantos anos, já percebi a sua boa índole. Mas fiquei nervosa pela situação em si. É fácil desabafar com desconhecidos, não nos julgam. Mas vê-lo assim de frente…
 
 
Esta tarde, às 13h, aqui se apronta o rapaz para almoçar comigo!
E sabem que mais? Ele é ainda mais incrível ao vivo.
É uma pessoa dinâmica, sensível, trabalhadora, talentosa… Parece-me que terei aqui uma looooonga amizade.
Além disso, somos do mesmo signo, muito parecidos em objectivos e valores e ele incentiva-me sempre a ser como sou, a manter-me diferente na minha genuidade.
 
 
Como vêm, a blogosfera pode unir pessoas e trazer pequenos tesouros para a nossa vida.
Por isso e porque nunca se sabe o que nos reserva o destino, quem precisar de algo ou apenas quizer falar, basta mandar mail para:
undertheclothes@sapo.pt

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Vou a um arraial de recepção aos caloiros na minha antiga universidade!
Estou feliz por reaver as minhas amigas. Mas de certeza que será uma noite nostálgica e meio triste para mim…

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Não é facil…






… explicar a duas crianças que a mãe vai ficar careca.








A minha madrinha teve cancro da mama em Junho.
Foi operada, o nódulo foi-lhe retirado e, ainda que pareça estar tudo controlado, como o tumor dela era dos mais agressivos que existem a este nível, a médica decidiu que ela deveria fazer quimioterapia como prevenção e garantia de que não estaria nenhuma metastese por aí perdida no seu corpo.
Claro que toda a família está feliz por ela se ter curado com uma simples operação! Mas agora surge a parte delicada. A minha madrinha tem dois filhos pequenos, um casalito bonito, ele com 10 anos, ela (que por acaso é minha afilhada) com 5.
A minha afilhada é incrivelmente vaidosa e curiosa. Não foi fácil explicar-lhe que a mãe iria ficar careca. Não foi fácil fazer-lhe compreender que a mãe está doente e tem de fazer um tratamento que a deixará sem sobrancelhas.
Não foi fácil mas ela lá aceitou as justificações que os adultos lhe deram.
Agora só me preocupa o choque que ela terá com a realidade quando o cabelo da mãe desaparecer mesmo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

7 meses



Ontem explodi!
Tivemos “aquela conversa”.
Era inevitável; nenhum dos dois está contente com esta relação.
Por isso, tomei a iniciativa.
Somos opostos, completamente antagónicos. Mas estamos apaixonados.
Eu gosto de literatura, arte, museus, espaços calmos…
Tu gostas de carros, motas, negócios, dinheiro, comodismo…
Tu és material, eu sou espiritual.
É suposto estas duas componentes juntarem-se e fazerem parte de algo único.
Hoje fazemos 7 meses de namoro.
Um namoro que começou de forma quase anedótica (prometo que se aguentarmos 1 ano, vos conto o circo que levou ao início desta relação).
Hoje pedi-te mais elasticidade. Sei que também não sou fácil; a culpa é dos dois.
Não podemos querer moldar-nos a algo que não somos. A única coisa a fazer é aprender a ver o interior um do outro, quer gostemos quer não.
Não somos o principe e a princesa que procuramos, mas ainda assim não quer dizer que não sejamos a pessoa certa um para o outro. Afinal, talvez o opostos se atraiam mesmo.
Talvez o truque seja que somos a balança, o peso e a medida um do outro. Impedimos os excessos um do outro.
Bem.. isso também não é verdade, já que a minha arrogancia não te permite controlar nada em mim.
Admiro a tua paciencia. Não tivesses tu o amor como talento e esta relação já teria ruído, pois eu não tenho estofo para a entrega.

Não é que eu seja adepta de realitty shows mas…

… metem-me um tipo destes, que é SÓ o meu género (TOTALMENTE), a passar várias horas ao dia na minha Tv e… querem que os meus joelhos não fraquejem?
Ele tem 30 tatuagens, ele tem piercings nos 2 mamilos, ele tem um alargador na orelha, ele tem olho verde, ele é moreno, ele anda quase sempre de barba (como eu venero uma boa barba serrada…). Ele é um Deus, pah!
Fosse eu aquela tonta da Daniela que tem por missão fingir-se apaixonada por ele e já veriam voces! Ganhava o Óscar de melhor actriz!
Eu acho que a Daniela deve ser lésbica… só pode! Como é que alguém reage com ar de nojo ao facto de ter de beijar este homem?!?
A voz dava-me uma missão destas e eu começava logo ali no confessionário.
 PS: sim, eu tenho um gosto diferente no que toca a homens. Gosto de pessoas diferentes, alternativas, com caracter/estilo próprio e mau feitio (contribui para o desafio). E confesso que acho muito sexy o sotaque do Norte.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Leituras deste verão:






PS: Oh my God! O Truman Capote criou a personagem Holly Golightly baseando-se em mim, só pode! Nunca me identifiquei tanto com um livro. Estou cheia de vontade de ler mais coisas deste grande senhor.
E o Júlio Cortazar… digamos que é a primeira vez na vida que aprecio a escrita de alguém ao nível dos Contos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As minhas novas heroínas:

Pois é! Agora venero e muito as empregadas domésticas!
Não é fácil, sobretudo quando se é interna. É como não ter vida.
Eu não me posso queixar. Depois do choque inicial e de eu explicar que vinha para outras funções e que não sabia mesmo fazer nada da lide doméstica, a Princesa foi porreira e deixou-me encarregue apenas das limpezas matinais, libertando-me de passar a ferro e afins (acho que temia pela segurança das suas roupas Channel).
Tive 2 semanas a trabalhar no seu Chalet de Madrid para me ambientar aos seus hábitos e depois, as restantes 5 semanas, fui para a sua casa de praia em Marbella.
Confesso que para membro da monarquia, a Princesa até era acessível e simples.
Claro que tinha as suas coisinhas ridículas, como por exemplo, eu tinha de lhe abrir um pouco os lençois sempre que ela se queria deitar; o seu copo para colocar a pasta e escova dos dentes era de prata; o seu cão (liiiiindo de fofo e que eu tive vontade de raptar) tinha uma coleira de prata e de marca, bem como cabeleireiro e cozinheira só para ele.
No meio deste mundo novo, ainda lucrei! Todas as sextas-feiras tinha folga e aproveitava para me meter num autocarro e conhecer outras cidades. Fui a Málaga, a Estepona, a Ronda e a Trujillo. Também me posso gabar de conhecer como a palma da minha mão Madrid.
E tenho de admitir: ainda bem que fui “enganada”. Se soubesse que ia para empregada doméstica, a minha arrogancia e pretenção não me teriam deixado ir.
Acredito que tudo acontece por alguma razão, o nosso rumo está traçado e temos sempre algo a extrair das pedras que pisamos. Sei claramente que esta experiencia me foi fundamental para a minha formação como ser humano e me fez ponderar nos meus valores.
As empregadas daquela casa eram paraguaias pobres que estão há anos em Espanha a mandar todo o seu salário para os filhos, pobres crianças que estão no Paraguai a crescer sem a presença materna. São mulheres de garra, incríveis, leoas protectoras a dar a pele pelas suas crias. Uma delas tinha 24 anos e já 2 filhos às costas… Emocionei-me com ela. Quando a olhava, pensava que aquela poderei ser eu…
 
 
Foi sem dúvida como estar no limbo.
Estive entre a nobreza e o povo.
Um capítulo mais na minha biografia que é sem dúvida o mais rico até ao momento.
Mas não vou parar! Auto-defino-me como uma coleccionadora de vivencias e, como tal, estou a espera de mais peripécias nos meus dias.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Se queres algo bem feito tens de ser tu próprio a fazê-lo



Sou uma pessoa bastante aventureira.
Aos 17 anos envolvi-me num projecto que me levou a viver sozinha pela primeira vez e numa outra cidade durante 2 semanas.
Aos 20 anos fui participar da organização de um colóquio internacional em Mérida que me levou a ficar nessa cidade 1 semana (sendo a única portuguesa) e sem telemóvel (opção minha, que me pareceu mais relaxante e que me permitiu aproveitar mais aquele momento).
Este verão, aos 22 anos, decidi ir trabalhar como babbysitter para Madrid. Mas foi a primeira vez na vida que me meti numa aventura que não estava planeada por mim. E no que resultou? Numa valente dor de cabeça!
Então não é que cheguei a Madrid e em vez de um casal com 3 ou 4 filhos, encontro uma tipa de 68 anos viúva?!?
E além disso princesa (mesmo da família real, minha gente! Não estou a inventar!), prima do rei de Espanha?!?
 
 
PASSEI-ME!!!
 
 

Obviamente não queria uma babbysitter e sim uma empregada doméstica para as férias.
Foi aí que colapsei! Porque vamos lá a ver… eu posso ser uma querida e ter nascido para muita coisa mas para tarefas domésticas e coisas assim mais a tombar para o prático, sei que não!
Como a minha mãe sempre esteve em casa a cuidar do meu irmão, também sempre foi ela a fazer a gestão doméstica. Eu nunca lavei a minha própria roupa; não sei cozinhar; nunca tinha mexido numa máquina de fazer café; nunca passei a ferro…
Estão a ver o filme onde me meteram?
E até agora continuo sem perceber onde está a falha de comunicação… Porque a Princesa jura a pé juntos que nunca pediu uma babbysitter ao seu contacto português e o homem jura que nunca lhe falaram em empregada…