- “Ah Raven, não sejas desmancha prazeres! Anda lá ali comigo patinar. Aquilo é tãããão fixe! Vais te divertir bué!”.
- “Não sei, não… eu nunca patinei… devo andar ali só a dar trambolhões. Palpita-me que não vou gostar.”.
- “Não sejas assim! Vais adorar!”.
- “Está bem… faço-te e vontade…”.
Dia 29, 19.30h
Assim que ponho um pé no gelo… VUM!!! Escorrei logo mas agarrei-me ao ferro de protecção.
Tentei dar um passo… VUM!!! Ia fazendo a espargata. Fiquei colada ao ferro com pânico de cair.
A minha amiga estava ao meu lado a espicaçar-me, a dizer para me aventurar, para avançar. Tentei. ZÁS!!! Cai. Estatelada. De rabo no gelo. Mas antes de ir ao chão, ainda bati com a anca direita na parede.
Custou-me imenso levantar mas lá consegui, com a minha amiga ao lado a ajudar-me e a rir desmedidamente.
No meio desta palhaçada toda, já eu estava toda suada e vermelha, a amaldiçoar o meu casaco grosso e quentíssimo.
Mais uns passos. A minha amiga afastou-se para patinar um pouco e passados 3 segundos ouve um grito meu. Lá estava eu de perna aberta agarrada com unhas e dentes ao ferro de protecção.
Mais uns passos. Espargata. Escorregar. Gritar.
Mais uns passos. Espargata. Escorregar. Gritar.
Mais uns passos. Espargata. Escorregar. Gritar.
Tudo isto, com sangue, suor e lágrimas nuns intensos e duradouros 30 minutos.
Sendo que de 4 em 4 desequilíbrios, eu perguntava “Falta muito para acabarem os 30 minutos?!?”.
Quando sai da pista de gelo, só me apetecia cair de joelhos e beijar apaixonadamente o chão! Como valorizo os meus sapatinhos!! Oh God!
Resultado final: Uma nódoa negra da largura de toda a minha anca/coxa, dor nos braços pela enorme força com que me agarrei ao ferro de protecção, dor nas costas, no pescoço… sei lá… estou toda partida! Parece que levei uma sova.