Damn it!
Já não bastava eu andar por aqui com saudades, a dar voltas ao cérebro, a querer perdoar o João mas na dúvida porque não confio, se não agora lhe surgir a possibilidade de ir trabalhar para Angola!
Não é nenhuma surpresa. Desde Dezembro que eu o andava a ajudar a mandar mails e a pesquisar contactos. O João não percebe grande coisa de computadores e sempre esteve resguardado na comodidade da sua empresa familiar. Mas agora que a empresa está a uma unha negra de falir, decidiu ir para fora. Conversamos e decidi que o ajudaria, que o iria apoiar, que tentaríamos manter o nosso amor à distancia, muito embora nem saibamos por quanto tempo será. Até agora não tinha havido qualquer resposta aos mails. Mas de repente, o irmão dele recebeu um convite para Angola. Está confirmado. Vai esta semana a Lisboa a uma reunião para saber dos detalhes. E o João vai com ele para ter uma entrevista e ver se consegue ficar nessa equipa e ir também.
Como boa mulher hormonal que sou, stressei ao saber da noticia e mandei-lhe uma sms com uma boquinha “Boa sorte na tua nova vida. Vê lá, se te lembrares, despede-te antes de ires”.
Ao que ele me calou logo, respondendo “Eu não te vou largar nem que esteja na China. E quando for para Angola vou despedir-me de ti mas não é para sempre porque eu quero que continues a ser a minha namorada mesmo eu estando em Angola e tu cá. Amo-te muito muito muito muito desculpa de ter sido um grande estúpido contigo amo-te”.
AAHHHHHHHHHHHHH!!!!
Que raiva! Agora é que vou ter mesmo de o perdoar. Não posso permitir que este homem se vá embora sei lá eu quando, até pode ser já no mês que vem, e que fique tudo mal, tudo em águas de bacalhau.
Vou ter de acalmar o cérebro e dar palavra ao coração. Tenho de recolher o muro defensivo e dar lugar ao amor.
Ele convidou-me para tomar café hoje. Aceitei. Mas o problema é: não consigo fazer as pazes! Quero muito. Mas sinto-me insegura e, diga-se de passagem, o meu orgulho também está a assumir um forte papel de comando nesta história. Merda!