O Estado de Emergencia chega ao fim...
Se por um lado é claramente precipitado e tem tudo para correr mal, por outro mantê-lo tem tudo para correr mal também!
Para mim, que estou a ser uma privilegiada, com patrões que se estão a aguentar e a aguentar-nos, a quarentena está a ser óptima. Tenho usado o tempo para mim, para investir em cursos e leituras, para finalmente ter tempo para falar com os meus amigos. Já nem me imagino a ter de sair de casa ou a vestir algo que não seja o pijama. Não quero pensar que já não vou passar as tardes no quintal a apanhar sol com os gatos (acho que esta quebra de rotina também será dura para eles).
Contudo... e os não privilegiados? Os que se estão a endividar, a perder casas, comida, dignidade, segurança...?
Tenho fé então, que o retomar da economia trave a pandemia social que aí vem. Que a minimize para muitos, pelo menos. Porque a verdade é que para muita gente a questao é apenas: "Se não morrer de Covid, morrerei de fome".
Será o que tiver de ser e espero que todos continuemos bem nesta blogosfera, no final de tudo.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
terça-feira, 28 de abril de 2020
Do México XIX
Do choque III
No México, os colonizadores acabaram por não conseguir eliminar a religião indígena existente, ao mesmo tempo que não conseguiram consolidar de forma hegemónica o cristianismo e ainda conseguiram misturar tudo ao levar para este território escravos africanos.
Resultado actual: em cada bairro há um altar à virgem de Guadalupe e aos seus pés ervas, incensos, mezinhas aztecas e galinhas degoladas.
O México actual é uma verdadeira mistura esotérica, onde a Santeria é a religião oficial. Como o nome indica, Santeria. Eles defendem que é uma religião que presta culto a todos os santos, sejam eles católicos ou africanos. E para isso usam diversas ferramentas e práticas.
Numa localidade chamada San Juan de Chamula, entrei em choque quando adentrei na Igreja principal.
Não existiam bancos ao meio. os santos estavam todos nas laterais, de pé, próximos aos crentes, sem altares ou nichos com vidro protector. E as pessoas entravam com o seu bruxo e ajoelhavam-se perante o santo de sua devoção com uma galinha negra e o bruxo. O qual depois de longas orações numa longua que desconheço, degolava a galinha. O cheiro a incenso e sangue era perturbador.
No México, os colonizadores acabaram por não conseguir eliminar a religião indígena existente, ao mesmo tempo que não conseguiram consolidar de forma hegemónica o cristianismo e ainda conseguiram misturar tudo ao levar para este território escravos africanos.
Resultado actual: em cada bairro há um altar à virgem de Guadalupe e aos seus pés ervas, incensos, mezinhas aztecas e galinhas degoladas.
O México actual é uma verdadeira mistura esotérica, onde a Santeria é a religião oficial. Como o nome indica, Santeria. Eles defendem que é uma religião que presta culto a todos os santos, sejam eles católicos ou africanos. E para isso usam diversas ferramentas e práticas.
Numa localidade chamada San Juan de Chamula, entrei em choque quando adentrei na Igreja principal.
Não existiam bancos ao meio. os santos estavam todos nas laterais, de pé, próximos aos crentes, sem altares ou nichos com vidro protector. E as pessoas entravam com o seu bruxo e ajoelhavam-se perante o santo de sua devoção com uma galinha negra e o bruxo. O qual depois de longas orações numa longua que desconheço, degolava a galinha. O cheiro a incenso e sangue era perturbador.
São fotos tiradas da net, que eu cá só conseguia pensar em sair dali
Também houve o dia em que sem querer, entrei no Mercado Sonora.
Justamente uns meses antes, tinha lido na página de facebook P3, um artigo sobre este curioso mercado. Basicamente, é um tudo em 1!
Ou seja, nas zonas logo à entrada, dá-nos a ideia de um mercado comum, com bancas de fruta, legumes... mais atrás a zona de vestuário... e depois... ZÁS! Um braço ao lado das maçãs, uma ossada completa por baixo dos casacos... aquele artigo descreveu-me algo que na altura, achei ser fantasioso e claramente mentira. Mas por via das dúvidas, decidi nunca ir lá.
Mas quis o destino que eu, desconhecendo a zona em que me encontrava, entrasse num simpático mercado que se revelou ser o Mercado Sonora.
E tudo o que li naquele artigo, ganhou vida, apesar do meu ar incrédulo.
Vi um senhor a ler o futuro com 4 ossos no antebraço. Ossos esses comprados a um coveiro (negócio muito comum no México; os coveiros avisam os santeiros quando há enterros e recebem encomendas, sejam elas de cinzas, ossadas, ou corpos frescos e vendem sem conhecimento das familias). E dizia ele à sua cliente, muito descontraidamente, como quem fala do aumento do preço do pão, a propósito de um tiroteio naquela manhã, "Eu ainda lá passei antes de vir trabalhar a ver se via sangue fresco no chão. Para apanhar com um lencinho, sabe? Dá-me sempre jeito esse material".
E como se isto não fosse suficientemente surreal, ainda vi um corredor cheio de animais para sacrificil. Desde galinhas, a cabras, a gatinhos bebes. Doeu-me profundamente aquela imagem e mais uma vez, sabendo que eu não posso fazer nada naquele país.
Mudando de assunto: igrejas.
O culto católico também é levado de forma engraçada. O menino Jesus, por exemplo. Para eles é um menino e portanto necessita brinquedos:
Poderia contar mil coisas mais, mas prefiro ficar-me por aqui.
Tudo é demasiado pesado e inacreditável.
60 Dias de Gratidão# 50
Que lição agradeces hoje?
Não és culpado do que fizeram contigo.
Mas és responsavel pelo que fazes com o que fizeram contigo.
Não és culpado do que fizeram contigo.
Mas és responsavel pelo que fazes com o que fizeram contigo.
domingo, 26 de abril de 2020
60 Dias de Gratidão# 49
Que conhecimento agradece hoje?
O histórico.
Ter feito uma primeira licenciatura em história tornou-me mais rica.
O histórico.
Ter feito uma primeira licenciatura em história tornou-me mais rica.
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Do México XVIII
Do choque II
O México tem elevada criminalidade. Ninguém tem escrupulos e parece que todos vêm como algo banal tirar uma vida.
Logo, infelizmente, não foi com espanto que descobri que no dia de São Judas Tadeo, o caos se instalava nas cidades. Ao parecer, este santo é o padroeiro dos criminosos. Então neste dia, é ver carros blindados, homens armados, a despejar oro nas igrejas nos altares do referido santo e ainda o passeiam pelas ruas, no metro, em moto... Enfim, parece que é motivo de orgulho afirmar-se como criminoso e deliquente.
Sim, eu sei... é impossivel acreditar nisto. Se eu não visse com os meus próprios olhos consideraria anedota. E na verdade, mesmo depois de ver, continuo sem compreender como é possivel!
O México tem elevada criminalidade. Ninguém tem escrupulos e parece que todos vêm como algo banal tirar uma vida.
Logo, infelizmente, não foi com espanto que descobri que no dia de São Judas Tadeo, o caos se instalava nas cidades. Ao parecer, este santo é o padroeiro dos criminosos. Então neste dia, é ver carros blindados, homens armados, a despejar oro nas igrejas nos altares do referido santo e ainda o passeiam pelas ruas, no metro, em moto... Enfim, parece que é motivo de orgulho afirmar-se como criminoso e deliquente.
Sim, eu sei... é impossivel acreditar nisto. Se eu não visse com os meus próprios olhos consideraria anedota. E na verdade, mesmo depois de ver, continuo sem compreender como é possivel!
60 Dias de Gratidão# 48
Que hobbie agradeces hoje?
Na verdade não tenho hobbies.
Desde criança que queria fazer tudo e depressa me aborrecia. Desistiram de me inscrever no que fosse!
Música, equitação... o meu interesse não superava as 2 semanas por nada.
Na verdade não tenho hobbies.
Desde criança que queria fazer tudo e depressa me aborrecia. Desistiram de me inscrever no que fosse!
Música, equitação... o meu interesse não superava as 2 semanas por nada.
terça-feira, 21 de abril de 2020
Dica de sobrevivência mental:
Desde finais de Março que não vejo noticias, sejam elas Telejornais ou artigos escritos.
E sabem que mais?
Bem diziam por aí que a ignorância é o melhor estado de espírito!
Noto-me mais calma, positiva e equilibrada.
E sabem que mais?
Bem diziam por aí que a ignorância é o melhor estado de espírito!
Noto-me mais calma, positiva e equilibrada.
60 Dias de Gratidão# 47
Que defeito agradeces hoje?
Pois eis que temos de os aceitar e encaixar.
Ser ansiosa.
Em momentos de stress reajo sem pensar e torno maiores, situações que poderiam ser minimas.
Pois eis que temos de os aceitar e encaixar.
Ser ansiosa.
Em momentos de stress reajo sem pensar e torno maiores, situações que poderiam ser minimas.
sábado, 18 de abril de 2020
Do México XVII
Do choque
Reparo agora que talvez tenha passado mais tempo no México a queixar-me que a desfrutar.
Mas realmente tinha muita dificuldade em digerir tudo o que via.
As crenças que eles têm são algo que me despertava julgamento, que me incitava a apontar o dedo, que me fazia sentir superior, mais educada, mais civilizada.
Foram tantos momentos em que os quis matar, gritar se acaso desconheciam que estamos no século XXI, que perdi a conta!
Como o dia que na cidade de Mérida, esbarrei com isto:
Maquech.
Intrigada, perguntei à vendedora que coisa curiosa era esta.
"Alfinetes de peito", dizia ela sorridente.
E seguiram-se vários minutos em que eu perguntava "Como??" e ela repetia "Alfinetes de peito".
Juro que não estava mesmo a compreender. Por momentos duvidei da minha compreensão do espanhol.
Até que lá conseguimos sair deste caos repetitivo e ela me explicou que isto é o último grito da moda naquela região. Resumindo: pegam em escaravelhos vivos, cravejam-lhes pedras coloridas, bijuteria ou, se a pessoa for rica, pedras preciosas (com eles vivos, sim) e depois mete-se um alfinete agarrado ao bicho e... txaran! Pronto para ser alfinete de peito, andar em blusas e casacos até que inevitavelmente, morrerá de fome e compra-se outro.
Óbvio fiquei indignada!
Chamei anormal à vendedora, disse-lhe que aquilo era crime, quis esganá-la mas depois o marido lá interviu e explicou-me que ali, aquilo era legal. Que ali os direitos animais ainda eram utopia. E que ali, eu era apenas uma doida a dizer coisas que não faziam sentido a mais ninguém.
Ali eu soube o que era impotencia!
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