De 1883.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
News
Depois do vosso
gigantesco apoio, resta-me descansar-vos (ou preocupar-vos) dando-vos as
respectivas noticias sobre esta vida nova.
Mudei-me na passada
sexta-feira, dia 18. Assinei nesse mesmo dia o contrato.
A minha casita é
pequena, apenas um wc, um quarto e uma kitchenette. Mas para mim e para o Eros
está perfeita. O Eros já se adaptou, se bem que por vezes passa as tardes
debaixo da cama. Ainda anda a explorar o sitio. Mas parece-me bem, contente.
Ainda tenho coisas em
sacos e caixas para arrumar. Mas já personalizei a casa. Comprei molduras,
espalhei fotos, coloquei um detalhe aqui, outro acolá. Está a ficar um mimo!
No trabalho, assinei
contrato experimental de 30 dias. Afinal, parece que ainda não posso dormir
sossegada. Não contava com mais esta. Mas enfim… quando passarem os 30 dias e
se tudo correr bem, a segurança não será das melhores, na mesma. Os contratos
são a termo incerto. Mas pronto, hoje em dia, parece que são todos assim.
Toda esta questão de me
terem dito que inicialmente não ficava e depois me ter esforçado muito e agora
ainda ter 30 dias experimentais nos quais me podem mandar embora sem quaisquer
direitos e contrato a termo incerto e tudo e tudo anda-me a deixar num stress
gigantesco! Não me sinto nada confortável nesta posição. E nesta empresa nunca
se sabe, não se pode ter um desabafo enquanto se bebe café, não se pode confiar
em ninguém nem fazer amigos, a competitividade é alta e muitos se querem lixar
uns aos outros. Já me avisaram que o melhor é entrar e sair, sorrir, bom dia e
boa noite, até amanhã. Ponto final. E assim pretendo fazer. Se bem que é
triste. Sobretudo no meu caso. Já só tenho 2 amigos nesta cidade. Um tem uma vida
muito ocupada e hobbies que a mim nada me dizem e outra anda a preparar o
casório para outubro, anda ocupadíssima. Acabo por me sentir sozinha. Não me
interpretem mal, estou muito feliz e agradecida de poder viver numa cidade que
gosto, longe de confusões e do passado mas sinto-me só. Não tenho com quem
tomar um café, não tenho quem convidar para jantar, nada.
Amanhã e sexta estou de
folga e sem planos, sem um hobbie, sem amigos, sem nada para fazer.
Enfim, resta-me
respirar fundo, focar-me para já nestes malditos 30 dias experimentais e pedir
ao Universo que me proporcione boas experiencias e pessoas novas. E que nada
corra mal, já agora. Please.
Obrigado, obrigado!
Recebi vários
comentários e emails de gente a referir que, apesar de pouco se pronunciarem aqui
no estaminé, andaram dias a fio a visitá-lo, quase de 1h em 1h para saber
novidades minhas e deste passo doido que dei.
Recebi apoio, tive
muita gente a torcer por mim, li / ouvi vários conselhos, levei também nas
orelhas (claro). E posto isto, só tenho algo a dizer: OBRIGADÃO!
Vocês, que nem me
conhecem, foram mais presentes que muitos que deveriam sê-lo. Ficou assim mais
que confirmado que a blogosfera é uma família. Vocês foram e são importantes na
minha vida. Obrigado pelo apoio, pelas palavras, por despenderem o vosso tempo
e preocupação com esta doida que nem conhecem. São grandes!
Sinto que não saltei
sozinha no abismo e num risco desconhecido; saltamos todos, vim acompanhada.
E retribuo: o que
precisarem, um apoio, uma opinião, apenas tempo para conversar, enviem-me mail
e cá estarei deste lado para ser para vocês o que vocês foram para mim.
undertheclothes@hotmail.com
quarta-feira, 16 de julho de 2014
E 100kg sairam-me de cima!
Pessoal, muito obrigado
pelo vosso apoio, pelas inúmeras palavras mas tenho algo a partilhar convosco….
FUI CONTRATADA!
Ai que felicidade, que
alivio, que alegria, que motivação.
Hoje e amanhã estou de
folga, vou aproveitar para ir a casa. Tenho hoje um jantar solidário para
animais de rua inteiramente organizado à distancia nestas semanas por mim. E
tenho o meu quarto todo para empacotar e separar em caixas, umas para a casa no
bairro social e outras para trazer para a nova cidade.
Sexta-feira será
oficialmente o meu primeiro dia de trabalho sem formação, independente. Que
nervos. Muitos nervos. E sexta-feira será também o dia D. O dia em que me mudo,
trago tudo comigo, desde panelas, lençóis, livros, roupa, maquina de café e o
Eros.
Adeus cidade horrível, Adeus João, Adeus amor desgraçado, Adeus confusões, Adeus passado louco.
domingo, 13 de julho de 2014
Exausta!
Cheguei cedíssimo a
esta cidade, tive de fazer tempo, andar debaixo deste calor infernal com a
mochila pesada às costas e tive assim tempo de sobra para me enervar, chorar,
colapsar, ligar à Madrinha a desabafar e a pedir para ela subornar os santinhos
dela.
E depois lá fui para a explicação
de formação só eu e o tipo que não me quer contratar. Foram muitas horas, das
14h às 21h e eu ali, de directa, a tremer, com vontade de chorar, com fome mas
sem conseguir comer devido aos nervos.
Não sei o que pensar.
Ele diz que hoje melhorei muitíssimo numa aplicação e o surpreendi. Mas que
continuo péssima na mais essencial e que assim lhe parece difícil dar-me
credibilidade. Eu chorei e chorei. Tremi. Estou a beira de um ataque de nervos,
se é que não o tive já. Não posso perder esta oportunidade, esta casa, esta
vida, este recomeço. Que Deus, os Santos, o Universo me ajude, por favor!
Amanhã às 14h la
estarei de novo e pronta a ficar ate à meia-noite. De falta de dedicação não me
poderão acusar.
sábado, 12 de julho de 2014
Com garra!
São 6.52h. Ainda não dormi.
Só chorei. A fome aperta mas o nó no estomago impede-me de comer.
Recordo agora que o
formador disse algo do género “se quiserem tentar recuperar, eu estou disponível
para trabalhar convosco no fim de semana. Apareçam se quiserem. Cada um sabe as
suas prioridades”.
Portanto, vou ali
vestir-me e apanhar o autocarro das 8.30h, o primeiro do dia e vou voltar àquela
cidade, àquela empresa e pedir ajuda ao formador! Se não me contratarem, que
não seja por falta de esforço ou dedicação. E pensar que ainda ontem saí de lá
perto da meia-noite e estou agora a voltar. Que o gastamento de dinheiro valha
a pena…
E se correr mal? Posso
romper um contrato de arrendamento sem nem ainda me ter mudado? Assinei por 1
ano. Alguém aí entende de leis?
E tudo se desmorona...
Fui de coração cheio,
ilusões e projectos, alegria para esta formação, paga totalmente do meu bolso,
na perspectiva de ficar, recomeçar e ser feliz.
Acreditei e arrisquei.
Aluguei uma casa, mandei colocar água e luz em meu nome, tratei de papéis,
contrato de arrendamento (que orgulho naquele contrato em meu nome), ia-me
mudar dia 15. Estava quase…
E hoje o formador
chama-me, juntamente com outras 3 raparigas e diz “Se tivesse de decidir hoje, vocês
as 4 não seriam contratadas”. Assim. Simples, directo e rude. E porquê? Porque
estivemos a observar várias pessoas que trabalham lá há anos e aproveitamos,
ingenuamente, para colocar duvidas e essas pessoas foram fazer queixa de nós,
dizer que estávamos muito verdes, com muitas questões em mente. Só por isso me destruíram
o ânimo e a ilusão. Sem me avaliarem, sem me ouvirem, sabendo que em todos os
testes, a minha nota mais baixa foi 83%. Acho que não desiludi. Mas pessoas que
não conheço de lado nenhum, a quem não fiz mal algum, decidiram puxar-me o
tapete.
Nunca soube lidar com
injustiças e hoje sinto-me incrivelmente magoada e triste. A avaliação final
sai terça-feira, dia 15. O dia em que me iria mudar. Mas resta a dúvida: será
que tenho ainda 2 dias para provar que mereço uma chance ou no fundo o formador
está apenas a ser correcto ao dizer que ainda podemos dar a volta por cima e já
tomou a sua decisão? É que desde o início que sinto que ele não gosta de mim.
Ele viu-me com o contrato da casa, viu-me a arriscar, viu-me a pedir água e luz
ontem e hoje diz-me isto. Dilacerou-me por completo. Estou farta de chorar e
perdi por completo a esperança. Este fim-de-semana já nem me apetece sair de
casa, apenas esconder-me e sofrer.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Aquele momento em que…
… a tua colega de formação, que conheces apenas há 2 semanas e para a qual proferiste 4 palavras neste tempo, te encontra num restaurante, diz “Por aqui, fofinha?” com um grande sorriso e te apalpa o cu como se nada e segue, airosa.
E quem merece um Prémio Nobel?!?
Eu! E o A.
Neste domingo, debaixo
de chuva torrencial, eu e um moço conhecido, que apenas vi 4x na vida,
decidimos atender ao pedido emotivo de uma idosa e ganhar uma mansão no céu.
A Dona Cristina,
senhora dos seus 77 anos, ligou-me a chorar, desesperada, porque durante 3 anos
cuidou da Boneca, uma gatinha de rua e agora, o seu marido faleceu e os filhos
querem-na levar para as suas casas, numa cidade bem longe daquela em que vivemos,
para que não esteja só. A única preocupação desta senhora era a gatinha que,
pontaria do caraças, decidiu ser mãe neste altura complicada e, se a velhota se
fosse embora, ninguém os alimentaria e depressa seriam envenenados, atropelados
ou outra coisa pior, uma vez que estavam numa rua com vizinhança pouco
receptiva a gatos.
Lembrei-me do A., um
rapaz que é FAT e voluntario num sem fim de Associações animais e liguei-lhe a
pedir ajuda. O rapaz lá veio, de outra cidade, a gastar gasolina, com
armadilhas, de coração cheio.
A Dona Cristina chorava
e chorava quando nos olhava, agradecia-nos muito, tentou dar-nos dinheiro e
repetia o quando pediria nessa noite à Nossa Senhora de Fátima todas as bênçãos
e sorte possível para ambos, tão bons jovens.
Foram horas e horas de
espera, de monta e desmonta a armadilha, espanta o gato gordo do vizinho que
tenta entrar na armadilha, apanha molha, muitos espirros, fome, o A. quase a desfalecer
com falta de insulina e eis que há 1h da manhã lá conseguimos apanhar o último.
A Boneca e os 4 filhotes. Cinco gatos num dia!
A despedida entre a
Dona Cristina e a Boneca foi linda e de lágrimas. A Dona Cristina olhou-a,
estendeu-lhe uma fatia de fiambre e disse “Adeus amiga do coração. Vou sentir
tanto a tua falta. O meu marido morreu a falar de ti.”.
E no meio disto tudo,
nem sei como, a Dona Cristina fez-me prometer que, se não aparecer um adoptante
à altura para a Boneca, serei eu a adopta-la (espero que apareça, que o Eros
não vai achar piada à coisa!). E lá fomos embora, prometendo voltar para lhe
oferecer uma foto da Boneca antes que os filhos a levem para longe.
Neste momento os gatos
estão todos em FAT e á espera de um lar. Segundo sei, a Boneca, mais que todos,
está a adorar ter uma casinha. Lá na rua em que vivia, sempre que via uma porta
aberta tentava entrar. Ao que se consta, a Boneca foi posta na rua há 3 anos
quando a sua dona comprou um gato de raça e achou por bem meter a “rafeira” no
lixo. Gente nojenta! Mas finalmente, tardou mas aconteceu, a Boneca tem agora
uma hipótese de ser feliz. E a Dona Cristina é dos seres humanos mais adoráveis
que conheci. Um obrigado também ao A., nunca vi tamanha devoção para com a
causa animal.
Aqui fica uma foto de família:sábado, 5 de julho de 2014
Como entrar no fim de semana
Lá continuo na tal
formação por conta e risco, a dormir num pseudo colchão semi insuflado no chão
do quarto do BFF e, finalmente e por agora, cheguei a casa para passar o fim de
semana que se avizinha com muita azáfama.
Para fechar a semana,
nada como uma maratona do novo vicio:
Ahhh! Cama, lençóis quentinhos,
série e muitas saudadinhas para matar do meu gatão lindo! Apesar de já não
colocar fotos dele há muito, encontra-se bem, cheio de saúde e cada vez mais
bonito.
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