quinta-feira, 18 de maio de 2017

Dia "DAQUELES"

Tenho andado meio desmotivada com o estágio. A orientadora tem um super ego, é muito ocupada e não me sinto minimamente "orientada". Contudo, hoje foi um bom dia.
Conheci um ex utente, um africano cheio de garra que deu a volta por cima e, como ele bem diz, sem a ajuda de nenhuma Assistente Social. Arriscou, viu e venceu! A história de vida dele motivou-me, ajudou-me a entender que tudo é possivel e que posso fazer a diferença sim num mundo de técnicos "Sr. Doutores" com nojo de ir para o terreno e deixar os seus papeis por preencher.
Foi um dia tranquilo mas inspirador.
Para terminar, percebi que já pertenço um pouco a esta Lisboa que tanto renego. Tentei ir à mercearia, que basicamente é a 2min da minha casa. Demorei 2h para lá chegar graças às pessoas que ia encontrando e com as quais ia falando. Entendi que já sou conhecida no bairro, o sr do café já sabe o que peço todos os dias, o sr da churrasqueira já me deixa o frango pronto a levar com aquele molho que eu mais gosto, o dono daquele cão que eu acho bonito já o solta quando me vê porque sabe que eu adoro animais e o cão adora saltar-me para cima... detalhes que tornam a vida mais bonita e os dias mais luminosos.
E o melhor, melhor? Ter aquele empregado de mesa velhote, a dizer que me admira pela vida que levo, pelas atitudes que observa, pelos valores que lhe transmito. AHHHH! Coração cheio!

Do facto de ser a única portuguesa...

... no meu trabalho.
Ter de aturar "nuestros hermanos" e América Latina em geral a dizer durante uma semana, que o nosso Salvador só ganhou por caridade, porque todos pensam que ele é um coitadinho deficiente com aqueles jeitos e manias ao cantar e que a música é triste como os tugas, sem cor como os tugas, etc e tal.
Ok, até aceito o 1º argumento. Eu própria pensei nisso a primeira vez que vi o Salvador. Convenhamos que parece um menino "especial" com inúmeros atrasos cognitivos. Mas independentemente disso, a letra é linda, a melodia mágica, e ele emana sentimento, tanto sentimento. A sua qualidade como artista, com ou sem atrasos, é inegavel! Cambada de invejosos!

PS: se até a minha colega de casa, Venezuelana, que entende pouco de português, se sentou no chão, calada e arrepiada a primeira vez que viu e ouviu o Salvador, acho que está tudo explicado.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Diz que é só um fenómeno breve

Quando era pequena adorava o Fertival da Eurovisão. Achava piada àquilo.
Depois fui-me desligando. Mas ontem tive de voltar àqueles momentos de infancia, sentada no chão da sala, a ver o que cada país tinha para nos mostrar. Sem surpresas, todos apostaram em coisas modernaças, em ingles, com muitas componentes electronicas. Só a Belgica e a Finlandia tinham musicas bonitas, em vozes femininas suaves.
Mas nós... uff! Os únicos a cantar em lingua materna. E digam-me o que disserem, ninguém se expressa de modo tão sincero como na sua lingua mãe. Desde que trabalho numa empresa internacional onde NUNCA, em nem 1min do dia falo português que sinto finalmente esta coisa da alma lusitana, reparo como nunca antes na beleza da nossa lingua, da nossa comida, da nossa expressividade.
Ganhamos pelo sentimento, pelos violinos, por sermos um momento de pausa naquele aparato ruidoso e cheio de luzes. Fomos o alentejo no meio de Lisboa.
E quando vejo a minha colega de casa, Venezuelana, que nem metade das palavras entende, a meter o seu Enrique Iglesias em pausa e a sentar-se comigo no chão da sala, em silencio, arrepiada a ouvir o Salvador, ficou claro que iamos passar à final.
Hoje dizia-me uma amiga que ele é um fenomeno que vai passar. Talvez. Mas acho ao contrário dele não acho que ele seja agora famoso pelo Festival e já está. Acho que é famoso pela conjugação entre a sua voz doce e os tiques inesperados e esquesitos com o talento inegavel da irmã. Porque o Cd dele a sós, já o ouvi e não me pareceu minimamente interessante. Insisto que o que o salvou foi a grande composição de Luisa.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Uma lufada de alivio

Eu acredito que mais dia menos dia, as extremas direitas e os nacionalismos exacerbados vão voltar ao poder. E de forma democratica, ou seja, eleitos pelo povo. Tudo potenciado pelo medo. Foi assim com Hitler, será assim no futuro. E achei mesmo que seria desta...
Fiquei muito feliz ao saber da vitoria do Macron.
Mas confesso que esta imagem que anda a circular na net resume bem a minha verdade:


Eu não sei bem que defende Macron ao intitular-se centrista nem que ideias de politica tem. Muito menos me importa o que os outros governantes andam a dizer, de que ele marca a vitória da UE, de que ele é um simbolo pró-Europa, etc e tal. Isso não sei nem me interessa. Interessa-me que ganhou àquele monstro Le Pen. Interessa-me que ganhou sobre pessoas como aquele meu colega de trabalho que há dias escrevia numa rede social "Quem vota contra Le Pen são ignorantes aos quais os terroristas agredecem". Interessa-me que no meio do medo, ainda haja quem pense para lá do ódio.

sábado, 6 de maio de 2017

E o prémio de melhor colega de casa vai para...

... a minha roomie, chamemos-lhe Van!
Desde que me mudei em outubro que nunca vos contei como está a ser a experiencia. Decidi dividir casa com uma colega de trabalho venezuelana. Poderia ter corrido muito mal. Já vivi com amigos e a convivencia melindrou bastante a amizade. Quanto mais uma colega de trabalho que mal conhecia!
Contudo, foi e está a ser uma incrivel surpresa. Somos do mesmo signo, fazemos anos com 2 dias de diferença. Ela é mais velha do que eu 1 ano. Ela nunca tinha tido animais e, com uma paciencia admiravel perante 2 meses de ataques do Eros que inclusive lhe vomitava no quarto de proposito, caiu apaixonada por esta fera terrivel. E, diga-se de passagem e para meus grandes ciumes, actualmente o Eros ama-la. O mes passado os gatos partiram-lhe o computador e ela nem os matou. Nem a mim. Ufa...
Ela é lutadora profissional, super deportista. Eu sou uma pequena lontra. Ela limpa, eu cozinho. Ela fala alto, eu baixo. Contudo, não sei como, somos amas frontais, falamos na hora e na cara e com bom tom quando algo nos incomoda e tornamo-nos a familia uma da outra. Eu que nunca tive familia, sinto pela primeira vez que tenho uma. Ela que está só no nosso país, insiste em dizer que sou sua irmã. Apoiamo-nos, vou assistir às suas lutas, ela pede-me que traga patés para "os nossos meninos". No Natal até lhes ofereceu uma caixa de areia nova.
Já sem mãe, todos os dias fala com o pai e o irmão que estão na Venezuela e no outro dia dizia este último, enquanto comentava algo embraçoso e muito privado, "Ah que se lixe! A Raven já é da familia!". E eu fiquei ultra derretida.
Passados 7 meses, continuamos a viver juntas sem nenhuma discussão, continuamos a ser colegas de trabalho e cada vez mais amigas. Não poderia estar a correr melhor!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

De Itália IV

Bérgamo

Nesta viagem encontrei uma cidade surpreendente que nem sabia existir. Bem perto de Milão, a 30min de comboio, ergue-se a bela Bergamo, dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa. Ou seja, tem um centro histórico bonito, cheio de arte e jóias de arquitectura no cimo de um monte, rodeado de muralhas e em baixo prosegue o resto da cidade, mais moderna. Entre a parte baixa e alta há infindáveis encostas, verdes, com casas de pedra, caminhos pedestres incriveis, moradores simpáticos, muitos deportistas e um que outro mosteiro isolado.
As pessoas são muito afáveis, prestáveis e o que mais me impressionou é que não existe pobreza. Ou pelo menos de forma gritante. Em 3 dias que aqui fiquei vi 3 pessoas a pedir dinheiro, todas oriundas de países não europeus.
O mais me agradou foi verificar que todos têm animais, tratados com respeito. Vi até este anuncio na porta de uma farmácia:



Traduzido seria, "Aqui posso entrar e ainda me dão um biscoito".
Não sei explicar o que senti. Mas desde que cheguei a esta cidade que me senti muito bem, como se pertencesse ali. Dormi como há muito não o fazia, até o ar me fazia respirar melhor, sentir-me mais leve. Fiquei rendida. Só consigo pensar que quero viver ali!










Experimentei Polenta. Odiei!




Milão
 
O dia do meu aniversário foi passado aqui.
Comecei o dia a madrugar para tentar ver a Última Ceia de DaVinci. Vi e de facto, impressiona.
A catedral tambem é incrivel, sobretudo a nivel de escultura.
No entanto, Milão pareceu-me uma cidade muito moderna, industrializada, rapida. Não me cativou tanto. Ainda que os transportes funcionem excepcionalmente bem.